Furlan pede crescimento e critica juros
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terça-feira, 27 de janeiro de 2004
Agência Folha 
Nova Délhi - Contagiado pela performance da economia indiana, o ministro Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento) afirmou ontem, em Nova Délhi, que a economia brasileira ''precisa entrar numa nova fase'' e começar a crescer. Ele criticou a atual taxa de juros de 16,5%.
O ministro Furlan integra a comitiva do presidente Lula, que chegou à Índia no domingo passado para uma visita de quatro dias. Nesse período, já foram assinados cinco acordos bilaterais e um sexto entre o Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai) e a Índia.
''Estou olhando para a frente. Para um índice de risco-país de 200 pontos e para juros de Primeiro Mundo ou, no mínimo, como a Rússia, a Argentina, o México, a Índia e a África do Sul, que, por exemplo, têm juros nominais de 9%. Estamos vestindo uma carapuça do passado sem olhar para o futuro'', disse Furlan. Ele ressaltou que não está criticando a política econômica, apenas questiona se já não está na hora de avançar para permitir o crescimento.
Ao falar sobre juros, Furlan perguntou aos jornalistas: ''Vocês sabem quanto é o juro para financiamento de automóveis e habitação aqui na Índia?''. E ele mesmo respondeu: ''6% e o país está crescendo entre 6,7% e 8% ao ano e a inflação está sob controle''.
A Índia, ao contrário do Brasil, não segue ao pé da letra o receituário do Fundo Monetário Internacional (FMI). A dívida pública indiana equivale a 85% do seu Produto Interno Bruto (soma das riquezas produzidas pelo país).
Ainda assim, a inflação está controlada e a Índia é a segunda economia que mais cresce no mundo. Já o Brasil fez tudo como ''manda o figurino'', como disse Furlan, mas não cresceu. A dívida pública brasileira é equivalente a 58% do PIB.


