Rio de Janeiro - O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, negou ontem que defenda qualquer intervenção do Banco Central (BC) no mercado para elevar a cotação do dólar. Ele explicou que o BC deverá prosseguir com a política de recomposição de reservas, o que deverá contribuir para elevar a cotação da moeda norte-americana. Para o ministro, o dólar a R$ 3 é o nível ideal para as vendas externas, como avaliam os próprios exportadores.
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, tem reiterado que as sucessivas compras de dólar que vêm sendo efetuadas pela instituição são parte de um objetivo mais amplo de recomposição das reservas brasileiras e não têm a intenção de evitar uma valorização maior do real. Ontem, Furlan chegou a citar as operações do banco como um dos instrumentos para elevar a cotação do dólar, o que gerou interpretações de que ele defendesse uma política de intervenção mais clara do BC.
Furlan afirmou, em entrevista após solenidade no Palácio das Laranjeiras, sede do governo fluminense, que espera que o dólar atinja ao longo de 2005 uma cotação acima do nível atual (em torno de R$ 2,70) e explicou que isso será influenciado por três fatores: aumento das importações, que, segundo ele, vêm crescendo na média de 40% em janeiro; a recomposição das reservas pelo BC e a mudança da lei do câmbio que deverá ocorrer até março e dar maior flexibilidade aos exportadores.
Segundo o ministro, a legislação atual do câmbio ''é muito antiga, da época em que havia crises cambiais''. De acordo com Furlan, seu ministério e o da Fazenda estudam que os exportadores possam ter prazos superiores a seis meses, podendo chegar a um ano, para internalizar divisas (converter o faturamento em dólar para real) após o embarque dos produtos. De acordo com o ministro, a mudança depende apenas de uma decisão administrativa que deverá ser tomada ainda neste primeiro trimestre.
Apesar da pressa do ministro Furlan, para que o governo adote logo mudanças nas regras cambiais para frear a valorização do real em relação ao dólar, o assunto vem sendo conduzido com cautela dentro da equipe econômica e outros fatores estão sendo levados em conta antes de uma decisão.
O Banco Central concluiu uma proposta para liberalização do mercado de câmbio que já conta com o aval do ministro da Fazenda, Antonio Palocci. Na prática, trata-se de uma simplificação das normas em vigor para reduzir a burocracia no registro de operações que hoje são efetuadas em sistemas diferentes, criando-se um mercado unificado. A ampliação dos prazos para que os exportadores possam converter os dólares recebidos no exterior por reais, no entanto, como defende Furlan, ainda precisa de uma avaliação mais ''cuidadosa'', segundo técnicos do BC.
''O tema está em pauta, mas não há definição política. Estamos fazendo estudos técnicos'', afirma uma fonte.

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