Furlan já espera superávit de US$ 22 bilhões
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quarta-feira, 01 de outubro de 2003
Sandra Manfrini<br> Agência Folha 
Brasília - O ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, afirmou ontem que a expectativa atual é que a balança comercial brasileira feche o ano com um superávit de US$ 22 bilhões.
Até setembro, a balança comercial acumula um superávit de US$ 17,802 bilhões, o que indica que seria necessário um saldo positivo de US$ 4,2 bilhões nos últimos três meses para que a expectativa do ministro se confirme.
Essa projeção do ministério é superior aos US$ 20,5 bilhões de superávit estimados pelo Banco Central neste ano. Essa é a última previsão feita pelo BC, que já chegou a projetar um superávit próximo a US$ 15 bilhões e de US$ 17,5 bilhões.
Segundo Furlan, essa estimativa de US$ 22 bilhões leva em conta um comportamento das exportações semelhante ao do último trimestre de 2002 e um aumento de 8,2% das importações, em razão do início do processo de recuperação econômica. ''A meta no último trimestre é jogar pelo empate (das exportações)'', disse Furlan.
Nos três últimos meses do ano passado, a balança comercial registrou um superávit de US$ 5,2 bilhões. Pela expectativa do ministro de um comportamento semelhante ao de 2002 para as exportações e de aumento das importações, o saldo no trimestre pode ficar um pouco abaixo do registrado no mesmo período de 2002.
Segundo Furlan, ao mesmo tempo em que o governo quer manter o crescimento das exportações, não se pode querer que o País cresça com importações estagnadas. ''Não é bom para a economia fazer superávit comercial com queda de importação'', disse.
2004
A meta do governo para a balança comercial em 2004 é manter o crescimento das exportações entre 10% e 15% em média, segundo Furlan. Ele está confiante de que neste ano as exportações apresentarão crescimento superior aos 10%.
Segundo ele, para 2004, o caminho da expansão das vendas externas virá de setores e mercados não-tradicionais. ''Precisamos identificar nichos de entrada, canais de oportunidade'', disse o ministro.
Com relação à taxa de câmbio, Furlan disse que continua acreditando que com o dólar ao redor de R$ 3,00 é ''estimulante às exportações''. Segundo ele, se descontada a inflação a taxa de câmbio está próxima a R$ 2,60 e o setor exportador continua respondendo positivamente.
O ministro disse que o aumento das exportações neste ano é resultado das ações das empresas. ''O governo ajuda muito quando não atrapalha'', afirmou. Segundo ele, o que o governo vem fazendo para estimular as vendas externas é identificar os alvos e sugerir iniciativas ao setor privado. Mas ele destacou que, em 2003, o setor exportador foi favorecido pela safra agrícol recorde, pela melhora dos preços internacionais e pela taxa de câmbio do início do ano.
A expectativa do ministro é de que as exportações fechem 2003 acima de US$ 69 bilhões. Até setembro, elas totalizavam US$ 52,790 bilhões. Segundo Furlan, somente o complexo soja deverá responder por US$ 8 bilhões em vendas externas, sendo que US$ 6,3 bilhões já foram exportados até setembro.


