Brasília O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, disse ontem que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) espera uma proposta consistente e com garantias concretas para solucionar o problema da empresa norte-americana AES, controladora da Eletropaulo.
Segundo ele, o governo espera esgotar o problema por meio de negociações com a empresa. Furlan ressaltou, no entanto, que o orçamento do banco não poderá ser comprometido pela falta de pagamento da dívida da AES, em torno de US$ 1,2 bilhão: ''O BNDES tem sido bastante compreensivo e paciente, mas não pode comprometer seu orçamento e deixar de atender os programas do banco''.
De acordo com o ministro, há regras bancárias que precisam ser obedecidas. Ele fez uma analogia com o que acredita que faria um banco norte-americano: ''Se uma empresa brasileira fosse devedora, por exemplo, do Citibank, e chegasse e dissesse: 'Lamento, mas não vou pagar a minha dívida porque meu cliente não me pagou', o que o Citibank diria? Que seria condescentente e não iria executar as garantias? O Citibank, como o BNDES, também é um banco e tem regras bancárias que precisam ser seguidas''. Ele se referia à alegação da AES de que deixou de receber pagamentos de Estados e municípios por seus serviços.
Furlan afirmou que o assunto da dívida da AES com o BNDES está sendo acompanhado pela esfera mais alta de governo - ele e a ministra de Minas e Energia, Dilma Roussef - e garantiu que o governo dará apoio ao banco em sua decisão do caso, ''para que não haja uma posição enfraquecida''. Ele observou que, até o momento, todas as propostas apresentadas pela AES ''são insatisfatórias'' e que as negociações continuarão a portas fechadas.
Em relação ao pedido da embaixadora dos EUA no Brasil, Donna Hrinak, que anteontem se avistou com o próprio Furlan e com o presidente do BNDES, Carlos Lessa, para pedir que seja mantido o diálogo com a AES, Furlan disse que a pressão faz parte do jogo, mas que tanto ele quanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva estão acostumados a trabalhar sob pressão.

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