São Paulo - O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, alertou ontem cerca de 500 empresários do setor de agribusiness sobre a possibilidade de, no futuro, os preços de alguns produtos não se sustentarem da forma como vêm ocorrendo desde o ano passado. ‘‘Os preços de alguns produtos agrícolas não vão se sustentar no futuro.
Esses preços extraordinários, como o da soja, por exemplo, deverão ser pensados com serenidade porque, a partir de setembro e outubro, quando a safra norte-americana entrar, haverá uma volta ao leito original’’, alertou o ministro aos empresários que lotaram o auditório de um hotel em São Paulo, onde participaram do seminário ‘‘Perspectivas para o Agribusiness 2004-2005’’.
  O ministro afirmou ainda que os empresários e o governo não podem também se contentar com os ‘‘benefícios’’ (fatos) ocorridos no exterior entre 2003 e 2004, período em que houve alguns ‘‘acidentes de percurso’’ que ajudaram o setor de agronegócios brasileiro a exportar mais. Furlan se referiu, por exemplo, a doenças como o da vaca louca, aftosa e gripe do frango, além do forte crescimento das importações chinesas. ‘‘Precisamos nos preparar para ser ainda mais competitivos, porque o setor se compõe de ciclos (positivos e negativos) e, hoje, estamos na fase positiva. Quando vier algo negativo temos de estar preparados’’, alertou.
  Para ele, os grandes desafios do setor de agribusiness não estão no próprio setor, nem na produção, nem na transformação e muito menos na tecnologia, mas na logística, na conquista de novos mercados e nas negociações internacionais. ‘‘Estão aí os gargalos’’, disse, e emendou, ‘‘por isso há espaço extraordinário no exterior para ser ocupado pela produção brasileira.’’
  Ele lembrou que as negociações entre o Mercosul e a Comunidade Andina de Nações (CAN), a África do Sul e Índia podem representar crescimento relevante para o agronegócio do País. Citou alguns números que empolgaram a platéia, como o crescimento das vendas externas de produtos agrícolas apenas no primeiro trimestre, que passou de US$ 4,7 bilhões nesse período de 2003, para US$ 6 bilhões.
  Apesar disso, fez um ‘‘mea culpa’’ ao dizer que há uma prioridade crucial de melhorar a infra-estrutura e logística. Pouco antes, o ministro de Agricultura, Roberto Rodrigues, chegou a fazer a mesma reclamação. Isto é, para a área do governo que cuida dos setores que mais exportam e vêm mostrando desempenho favorável, a questão do transporte e do custo Brasil são cruciais.

mockup