A produção do café da América Central terá um ano adverso. A colheita 1998/99 está sendo prejudicada pelo furacão Mitch que deixa um prejuízo de mais de 1,8 milhão de ‘‘quintais’’ (sacas de 46 quilos) e pela baixa de preços no mercado internacional.
O Mitch, que deixou mortes e destruição ao passar pela América Central, causou uma perda de 800.000 quintais de café em Honduras, 420.000 na Nicarágua, 250.000 em El Salvador, 250.000 na Guatemala e 120.000 na Costa Rica, segundo os institutos e associações de plantadores da região.
Ao atingir as plantações de café, o Mitch golpeou severamente as economias da região, baseadas na agricultura, uma vez que o grão é o primeiro produto de exportação em Honduras, Nicarágua, El Salvador e Guatemala, e o segundo na Costa Rica, depois da banana.
‘‘Acreditamos que terá um forte impacto na produção do café, pois os danos são irreversíveis. O assunto é muito sério; da produção do grão dependem centenas de milhares de médios e pequenos produtores centro-americanos, muitos dos quais ficaram agora sem nada’’, afirmou o diretor do Instituto de Café da Costa Rica (ICAFE), Guillermo Canet.
Honduras, que no ano de 1997-98 produziu 3,5 milhões de quintais, perdeu 20% de sua colheita no período 1998-99, prevista em 4 milhões de quintais, de acordo com os últimos relatórios das autoridades de Finanças.
Na Nicarágua, o Mitch destruiu 30% da produção de café, principalmente nos departamentos de Matagalpa e Jinotega (norte), que produzem 60% de 1,4 milhão de quintais em nível nacional.
Em El Salvador, de acordo com a presidente da Associação de Cafeicultores Salvadorenha (ACS), Elena Bola¤os, as perdas são calculadas em 114 milhões de dólares, equivalentes a 250.000 quintais. Canet precisou que na Guatemala as perdas chegam a 250.000 quintais. A colheita de café da América Central 1997-98 foi de 10,7 milhões de sacas de 46 quilos, e a prevista para o próximo ano (outubro 98/setembro 99) seria de 12 milhões, se não contados os estragos do Mitch.

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