Fungo causa prejuízos em lavouras de soja
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 26 de novembro de 2002
Gilmar Agassi<BR>Equipe da Folha 
Cascavel Produtores da região de Cascavel estão preocupados com os prejuízos causados nas lavouras de soja em decorrência da ação do fungo Risoctônia Solani, que impede a germinação da planta e a destrói. Alguns produtores tiveram que replantar parte das suas áreas que foram danificadas pelo fungo.
O agricultor Santo Piati, de Céu Azul (51 Km a oeste de Cascavel), acredita que os prejuízos causados à sua lavoura superem os 30%, mesmo após ter feito o replantio. ''Replantei as beiradas, mas no meio há muita soja 'ralinha'. As perdas serão ainda maiores quando for colher, porque a máquina terá que fazer o processo inverso e quebrará muita soja'', lamenta.
O produtor acrescenta que desconhece as razões do surgimento do fungo em sua propriedade. Ele diz que já obteve três versões diferentes para as perdas e não entende porque em algumas áreas próximas à sua, não foi registrado o problema. ''Alguns dizem que o solo está compactado. Outros afirmam que o problema é excesso de chuvas. E há ainda aqueles que alegam que o problema é realmente a presença de um fungo'', afirma.
O técnico do Departamento de Economia Rural (Deral), de Cascavel, José Pértile diz que em praticamente toda a região há reclamações e que, a partir desta semana, será divulgado um relatório com as perdas. Ele explica que o excesso de chuva e a temperatura mais baixa do que o normal, à noite, propiciam o surgimento do fungo, que, com o solo compactado, destrói a planta. ''Alguns produtores já replantaram a mesma variedade e não está adiantando nada'', informa.
O representante comercial de sementes da região Oeste, José Donizete da Silva, afirma que o problema é decorrente de um conjunto de fatores. ''A maioria da soja foi plantada bem mais cedo que o calendário normal neste ano. O solo muito frio e algum material que estivesse com padrão mais baixo complicaram a germinação, principalmente nas áreas que tinha excesso de água da chuva'', destaca.
Além disso, Silva observa que há quase 13 anos muitos produtores não fazem rotação de culturas e provocam a compactação do solo. ''Há anos os produtores têm sido orientados sobre a necessidade da rotação de cultura, mas alguns insistem em não dar ouvidos'', conclui.


