Fundos socioambientais crescem 240%
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sexta-feira, 25 de janeiro de 2008
Andrea Vialli<br>Agência Estado 
São Paulo - Os fundos de investimentos chamados de ''socialmente responsáveis'' (ou SRI, sigla para socially responsible investments), que privilegiam ações de empresas com boas práticas socioambientais e de governança corporativa, estão em expansão no País. O patrimônio líquido desses fundos cresceu 240% no período de um ano: saltou de R$ 500 milhões em dezembro de 2006 para R$ 1,7 bilhão em dezembro de 2007. E parte desse crescimento é motivado pelo interesse de pessoas físicas que, atraídas pela rentabilidade da Bolsa de Valores, também estão preocupadas com a gestão das companhias em que pretendem investir.
''Bancos, corretoras e outros agentes do mercado de capitais estão sendo procurados por pessoas físicas para que passem a analisar, sob o ponto de vista social e ambiental, os riscos das empresas na Bolsa. É uma tendência internacional que começa a ganhar força por aqui'', diz Roberto González, assessor de sustentabilidade da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec).
Apesar do crescimento dos fundos SRI no Brasil, eles ainda são pequenos, perto de uma indústria que já chega a movimentar R$ 1,1 trilhão no País, entre fundos de renda fixa e variável. ''É um movimento ainda incipiente, mas, há cinco anos, não havia nada com esse perfil no mercado'', diz González. Um dos fatores que impulsionaram essa demanda foi o lançamento, no final de 2005, do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da Bovespa, carteira que reúne hoje 40 ações de 32 empresas. Inspirado no Dow Jones Sustainability Index (DJSI), da Bolsa de Nova York, o ISE foi criado para servir de referência para os fundos SRI no Brasil.
Desde então, pipocaram produtos com essa proposta no mercado - já são 14, de instituições como Bradesco, HSBC, Unibanco, Banco do Brasil, Safra e Caixa Econômica Federal. Antes disso, alguns bancos privados já haviam lançado produtos com esse perfil no mercado brasileiro, como o ABN Amro Real, em 2001, e o Itaú, em 2004. O fundo Ethical, do ABN Real, é o mais antigo e acumula um patrimônio de R$ 667,1 milhões. Desde que foi criado, em novembro de 2001, até novembro de 2007, teve uma rentabilidade de 484%, ligeiramente superior ao Ibovespa do período, de 461,5%. ''O interesse dos investidores pelo Ethical aumentou ao longo de 2007. Há um ano, o patrimônio líquido era de R$ 158,5 milhões'', diz Pedro Villani, gestor da carteira. Ele enumera vários motivos para isso. ''O produto já acumula um histórico de rentabilidade e o mercado de ações passou a despertar maior interesse entre investidores pessoa física'', diz. Outro motivo foi a grande atenção que o tema sustentabilidade recebeu em 2007 ano. ''Os investidores estão percebendo que não se trata de um produto filantrópico.''


