Fundos Petrobrás: ganho cai, mas volume se mantém
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terça-feira, 27 de março de 2001
Agência EstadoDe São Paulo 
Os fundos de ações da Petrobras, tanto os que utilizam recursos do FGTS como os com recursos próprios, não registraram grande volume de saques em função do grave acidente com a plataforma P-36. No dia 15 de março ocorreu a primeira explosão, mas o afundamento completo aconteceu somente no dia 20. A plataforma era responsável por 7% da produção nacional de petróleo e agora a empresa terá de importar quantia equivalente para suprir o mercado. Como o custo do produto importado é maior, a Petrobras terá perdas. Além disso, ainda não é certo se as empresas seguradoras ressarcirão a perda da P-36, avaliada em cerca de R$ 500 milhões.
Segundo dados da Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid), o movimento de saque dos recursos só se intensificou no quinto dia após o acidente, devido ao afundamento da plataforma. No dia 20, foram sacados R$ 580 mil dos fundos com recursos do FGTS e R$ 560 mil dos fundos com recursos próprios. Porém, esse movimento não teve continuidade.
O principal motivo para a manutenção dos recursos nos fundos é a perda da metade do desconto de 20% concedido pelo governo no momento de compra das ações ou cotas de fundos, se o investidor optar pelo resgate antecipado. Mesmo assim, o investidor amargou perdas apenas amenizadas pelo bom rendimento acumulado dos papéis.
Entre os dias 14 e 23 de março, as ações preferenciais (PN, sem direito a voto) acumularam uma perda de 14,48%, enquanto as ações ordinárias (ON, com direito a voto) registraram queda de 6,94%. A baixa na rentabilidade, porém, foi agravada pelo nervosismo nos mercados naquela semana por causa do cenário internacional.
Assim, a rentabilidade acumulada do mês de março dos fundos da Petrobras deve ficar comprometida. Segundo a Anbid, somente no dia 15, os fundos apresentaram uma rentabilidade negativa de 3,77% e 3,76%, respectivamente para os fundos com FGTS e com recursos próprios. No mês, até o dia 21, a perda é de 5,38% (FGTS) e 5,40% (recursos próprios). Mas o mau desempenho de março ainda não reverteu os resultados positivos no acumulado do ano. Até o dia 21, os fundos do FGTS renderam 12,05% e os fundos de recursos próprios ainda somam ganho de 11,84%. Desde quando foram criados, a valorização é de 58,13% (FGTS) e 58,37% (recursos próprios).


