Fundos perdem para ouro, CDBs e poupança
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terça-feira, 08 de julho de 2008
Renée Pereira 
São Paulo - A baixa remuneração de alguns fundos (seja de renda fixa ou multimercado) tem empurrado os investidores para outras alternativas de aplicações. Nos últimos meses, enquanto a indústria de fundos amargou resgates de quase R$ 15 bilhões, CDBs, ouro e até a caderneta de poupança registraram altas expressivas.
Segundo especialistas, alguns investidores estão fugindo das taxas de administração cobradas dos fundos, que têm corroído a remuneração baseada na Selic, hoje em 12,25% ao ano. Outros têm preferido resgatar os recursos de fundos multimercados, considerados mais arriscados, para escapar da turbulência do mercado financeiro.
Junta-se a isso o fato de os bancos terem melhorado a rentabilidade dos CDBs para captar recursos no mercado e emprestar aos consumidores. Isso atraiu uma onda de investimentos. Segundo dados da Associação Nacional das Instituições do Mercado Financeiro (Andima), de janeiro até o início de julho , o estoque de CDBs no mercado havia crescido 40%, de R$ 360 bilhões para R$ 495 bilhões.
A superintendente de Assessoria de Investimentos do Santander, Sinara Polycarpo Figueiredo, confirma que a demanda pelo produto está bastante aquecida. Isso porque, dependendo do valor da aplicação, a rentabilidade pode superar 100% do CDI (a taxa de junho estava em 11,99%), sem cobrança de taxa de administração.
Além disso, diz ela, no CDB não há o chamado come-cota, que é provocado pela cobrança do Imposto de Renda a cada seis meses. No CDB, o IR é descontado no resgate ou no vencimento do título. O administrador de investimentos Fábio Colombo afirma, porém, que esse produto é mais vantajoso para quem tem quantias elevadas para aplicar, pois tem maior poder de barganha para discutir a remuneração.
Além do CDB, a caderneta de poupança tem conseguido manter captação positiva nos últimos dois meses. Até junho, o saldo havia crescido 40% em relação a igual período de 2007.
Outra aplicação que tem tido aumento expressivo é o ouro, considerado um porto seguro para momentos de turbulência. De acordo com dados da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), de janeiro a maio, o número de contratos negociados teve um salto de 179%, de 50.040 para 139.816.


