Fundos multimercados
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segunda-feira, 16 de outubro de 2006
Agência Estado 
São Paulo - Principal destaque em captação no ano, os fundos multimercados estão bem próximos de ultrapassar os referenciados DI e se tornarem a categoria com o segundo maior patrimônio líquido da indústria, atrás apenas dos portfólios de renda fixa. Os dados são da Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid).
Em 28 de setembro os recursos dos multimercados somavam R$ 166 bilhões, ou 19,24% do total, enquanto as aplicações nos DIs eram de R$ 172 bilhões (19,91%). A distância vem encolhendo rapidamente desde o início do ano, quando as participações das categorias em relação à indústria eram de 17,7% e 20,8%, respectivamente. Na liderança, a modalidade renda fixa possui 39,4% do patrimônio líquido dos fundos.
Na análise de especialistas consultados pela Agência Estado, a consolidação dos multimercados representa um novo momento para o setor. Além de fatores econômicos como a queda dos juros, que estimula a procura dos investidores por produtos alternativos em busca da manutenção da rentabilidade, eles creditam a crescente demanda ao próprio amadurecimento do mercado.
Para o superintendente de Renda Fixa da ABN Amro Asset Management, Eduardo Castro, a evolução dos portfólios que buscam retorno atuando em vários mercados deve se manter, corrigindo, desta forma, o que ele considera uma distorção do mercado brasileiro. ''Os juros mais altos faziam com que a relação entre risco e retorno de um fundo DI fosse muito atrativa.'' Desde o início do ano, porém, o banco vem percebendo uma tendência de diversificação por parte dos investidores tradicionais, em busca de melhor rendimento para as aplicações. ''Estamos vivendo uma mudança de paradigma'', diz.
Com patrimônio de R$ 1,5 bilhão em multimercados, a Fator Administração de Recursos também enxerga um potencial de crescimento da modalidade, que já é grande e deve se intensificar nos próximos dois anos, segundo a diretora de Gestão, Roseli Machado. Para ela, os fundos DI deverão ser uma opção para os investidores que pretendam ou necessitem obter uma rentabilidade equivalente à do CDI sem correr maiores riscos. ''Mas, com a queda dos juros, a taxa em si não será mais um elemento de atratividade'', pondera.
Maxim Wengert, sócio da consultoria Quantum, concorda com a avaliação. ''Para o investidor avesso a risco, o DI continua sendo a melhor alternativa, apesar da queda dos juros'', diz. De acordo com ele, as opções de gestão estão cada vez mais sofisticadas, assim como a legislação do setor.
O diretor executivo da Santander Banespa Asset Management, Edvaldo Morata, assegura que os multimercados se tornarão o principal produto da indústria de fundos brasileira. No entanto, ele não arrisca um prazo para que isso ocorra, e acredita que o segmento ainda pode sofrer idas e vindas, caso haja, por exemplo, um estresse no mercado por um período mais longo.
O executivo lembra que os portfólios já superaram os DIs no passado e também passaram por momentos difíceis, como em 2005. Segundo a Anbid, a categoria perdeu R$ 69,4 bilhões em recursos no ano passado, após a reclassificação de várias carteiras em função da Instrução n.º 409 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Desta forma, a participação no setor despencou de 29,7%, em dezembro de 2004, para 17,7% no período seguinte.


