Conquistar capital é uma das grandes dificuldades das startups, já que investimentos nesse tipo de negócio são considerados arriscados, ainda que possam gerar retorno rapidamente. "Só pelo fato de ser uma startup já é um risco e acabamos assumindo um pouco desse risco", relata Lucas Murata, sócio da startup londrinense Codelux junto com Jorge Nakagawa. A empresa desenvolve software para outras startups que não possuem desenvolvedores em sua equipe.
A Fomento Paraná, agência de fomento ligada ao Estado do Paraná, apresentou ontem em evento na Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) a disponibilidade de recursos vindos de fundos participativos a empresas inovadoras de diversas áreas de atuação em Londrina e região. Em um momento de altos juros bancários, a agência destaca a disponibilidade de fontes de investimento subsidiadas pelos governos estadual e federal. "Londrina é um polo de Tecnologia da Informação e o Paraná tem uma expectativa muito grande porque temos bastante empresas inovadoras. A empresa inovadora dá ganho de produtividade que é o que a gente precisa dar para a economia nesse momento."
Os recursos vêm do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e de capital próprio. "Nosso spread não é o lucro, e sim a geração de emprego e renda para gerar tributos de volta para o Estado", afirma Luiz Hauly, diretor de Mercado e Relações Institucionais da Fomento Paraná.

Investimento
Foi apresentado ontem em Londrina pela primeira vez o Fundo Sul Inovação, um fundo de venture capital voltado a empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) da região Sul do País lançado em março desse ano. O fundo, gerido pela FIR Capital BZPlan, de Santa Catarina, anunciou R$ 50 milhões para investimento em até 12 startups da região Sul do País. Cada empresa poderá receber até R$ 7,5 milhões de investimento, oriundos do Fomento Paraná, Finep e de investidores privados.
Nesta modalidade de investimento, participativa, a startup passa a contar com a participação de um representante do fundo em seu conselho, que além de fazer o aporte de capital, poderá contribuir com o seu know how na gestão da empresa para um crescimento mais rápido. O investimento, que acontece em "rounds", se dá ao longo de três anos. Após esse período, o fundo tem cinco anos para amadurecer o negócio e vender sua participação nos negócios. "A velocidade desse processo permite que a empresa esteja capitalizada em um horizonte de tempo mais curto", explica Marcelo Wolowski, diretor-presidente do Fundo Sul Inovação. Ele ressalta que o fundo busca empresas com equipes multidisciplinares já consolidadas, com dois ou mais sócios, modelo de negócios validado e faturamento mensal superior a R$ 50 mil, preferencialmente.
Outro fundo de participação que disponibilizou recursos a empresas de perfil inovador foi o Criatec, criado pelo BNDES, que está em seu terceiro ciclo de investimentos no País e tem a Fomento Paraná como cotista. O fundo deverá disponibilizar no mínimo R$ 5,5 milhões no Paraná a empresas com faturamento de 0 a R$ 12 milhões no último ano de atividade. O foco principal está em empresas de TIC, biotecnologia, agronegócio, novos materiais e nanotecnologia. Em cada uma delas, poderá ser investido um valor de até R$ 10 milhões, afirma Augusto Muratori, representante do Criatec 3, que é gerido pela Inseed Investimentos. Os recursos vêm do BNDES, fundos de pensão e de investidores privados.
"A gente tem um compromisso com os investidores do Paraná de fazer um investimento de no mínimo R$ 5,5 milhões de R$ 200 milhões do total comprometido do fundo. A gente tem certeza de que vai conseguir fazer, e superar inclusive. Isso depende exclusivamente da disponibilidade e do interesse das empresas paranaenses de buscar esse investimento", declara Muratori. "O foco é encontrar empresas inovadoras que, com esse valor, consigam multiplicar e muito o seu crescimento, o seu valor de mercado no prazo de cinco anos", continua. Segundo ele, em nenhuma das empresas que já receberam o investimento o crescimento foi menor do que 15% ao ano.

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