São Paulo - As mudanças promovidas pelo Banco Central e pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) deverão reduzir as fortes oscilações que as cotas dos fundos de investimento vinham registrando nos últimos meses, mas não vão recuperar imediatamente as perdas dos investidores nem eliminar por completo os riscos de perdas, avaliam especialistas.
A primeira medida do pacote será colocada em prática com o leilão de troca de títulos longos por papéis de prazo mais curto. Segundo o diretor de Política Monetária do BC, Luiz Fernando Figueiredo, o leilão será o primeiro de uma série para atender a total necessidade de troca. O volume pode chegar a R$ 13 bilhões. A instituição vai oferecer Letras Financeiras do Tesouro (LFTs) com vencimento em 19 de março e 18 de junho de 2003 em troca de LTFs com vencimento entre 2004 e 2006.
A expectativa, com isso, é de que mais produtos formados apenas por papéis de curto prazo sejam lançados no mercado - uma tendência que já vinha se confirmando desde a mudança nas regras de contabilização dos fundos, em maio deste ano. ''Haverá assim dois tipos de fundos: com ou sem marcação diária dos títulos a preço de mercado'', prevê o diretor de renda fixa da Fator, Marcelo Elaiuy. Segundo ele, numa carteira composta só por ativos com vencimentos de curto prazo a possibilidade de perda é bem menor.
Mas existe o dilema da incerteza política: como fica o risco de crédito dos títulos públicos? Se o próximo presidente honrar devidamente os compromissos, os fundos passarão a ser um ótimo ativo, com baixa volatilidade e garantia do ganho diário. ''Acontece que o medo presente é justamente se haverá condições e até vontade do próximo governo de honrar os compromissos de dívida, por mais que isso pareça absurdo hoje'', comenta o gestor de um banco local.
O efeito das medidas sobre a indústria de fundos, porém, somente deverá ser percebido em no mínimo 30 dias, avaliam analistas. Embora todos concordem que a marcação diária dos títulos a preço de mercado seja o mais correto para o segmento, há consenso de que as novas regras são necessárias para estancar a sangria de resgates nos fundos.
O problema, segundo o diretor executivo da GAP Asset Management, Emanuel Pereira da Silva, é que o Banco Central perde credibilidade. ''Por isso, acredito que não será com essas alterações que o investidor que saiu dos fundos vai retornar, principalmente depois dos prejuízos contabilizados.''
O diretor da Consultoria Money Maker, Fábio Colombo, também não acredita em uma retomada em massa dos investidores.

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