Os especialistas do mercado são unânimes em apontar os fundos de renda fixa DI como as melhores opções de investimento, num momento em que o grau de incerteza em relação à economia é elevado e uma nova alta das taxas de juros não pode ser descartada. Como essas aplicações têm o rendimento atrelado à variação do CDI (título trocado pelos bancos), elas acompanham a variação das taxas.
Com isso, se o Banco Central (BC) aumentar os juros mais uma vez, para conter a sangria de reservas, o investidor de um fundo DI não tem nenhuma perda, pois o repasse da alta das taxas para as cotas é imediato.
O diretor de Fundos do Banco de Investimentos do Sudameris, Marcelo Elaiuy, não vacila em recomendar os fundos DI ao investidor. Para ele, o governo não deve hesitar em aumentar novamente os juros se as medidas tomadas até agora se mostrarem insuficientes para segurar os dólares no País. Elaiuy lembra que o governo faz o possível para não ter de alterar a política cambial, que prevê desvalorizações mensais do real em relação ao dólar de cerca de 0,6%.
Um problema é que, como boa parte da dívida do governo é composta atualmente por papéis pós-fixados, o espaço de manobra para novas altas de juros é bem menor, pois o impacto sobre a dívida pública é imediato.
O diretor do Sudameris esclarece que há mais de um tipo de fundo DI no mercado. Nem todos eles estão 100% atrelados à variação do CDI. Alguns têm parcela da carteira em títulos prefixados, para tentar superar o desempenho do CDI.
Elaiuy destaca que, no momento, como a instabilidade é muito grande, o ideal é o investidor procurar um fundo que seja mais conservador, ou seja, que esteja o máximo possível atrelado à variação do CDI.
Ele explica que um fundo DI ‘‘puro’’ não pode ter rendimento superior ao CDI, uma vez que, ainda que obtenha rendimento idêntico a essa taxa, a cobrança da taxa de administração impede que a remuneração seja idêntica.
Há fundos de renda fixa que são administrados de modo ativo, ou seja, não são nem puramente prefixados nem DI. Nessas aplicações, o gestor do fundo decide, conforme a conjuntura de mercado, se a carteira tem mais papéis prefixados ou se a deixa atrelada à variação do CDI. Num momento de incerteza como o atual, a maior parte dessas aplicações deve estar protegida, ou seja, seguindo o DI.
Nesse tipo de aplicação, o investidor precisa ter muita confiança no administrador, pois o desempenho desses fundos depende da capacidade do gestor de avaliar a conjuntura.

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