Fundos DI são melhor opção no momento
PUBLICAÇÃO
domingo, 13 de setembro de 1998
Agência Estado 
Os especialistas do mercado são unânimes em apontar os fundos de renda fixa DI como as melhores opções de investimento, num momento em que o grau de incerteza em relação à economia é elevado e uma nova alta das taxas de juros não pode ser descartada. Como essas aplicações têm o rendimento atrelado à variação do CDI (título trocado pelos bancos), elas acompanham a variação das taxas.
Com isso, se o Banco Central (BC) aumentar os juros mais uma vez, para conter a sangria de reservas, o investidor de um fundo DI não tem nenhuma perda, pois o repasse da alta das taxas para as cotas é imediato.
O diretor de Fundos do Banco de Investimentos do Sudameris, Marcelo Elaiuy, não vacila em recomendar os fundos DI ao investidor. Para ele, o governo não deve hesitar em aumentar novamente os juros se as medidas tomadas até agora se mostrarem insuficientes para segurar os dólares no País. Elaiuy lembra que o governo faz o possível para não ter de alterar a política cambial, que prevê desvalorizações mensais do real em relação ao dólar de cerca de 0,6%.
Um problema é que, como boa parte da dívida do governo é composta atualmente por papéis pós-fixados, o espaço de manobra para novas altas de juros é bem menor, pois o impacto sobre a dívida pública é imediato.
O diretor do Sudameris esclarece que há mais de um tipo de fundo DI no mercado. Nem todos eles estão 100% atrelados à variação do CDI. Alguns têm parcela da carteira em títulos prefixados, para tentar superar o desempenho do CDI.
Elaiuy destaca que, no momento, como a instabilidade é muito grande, o ideal é o investidor procurar um fundo que seja mais conservador, ou seja, que esteja o máximo possível atrelado à variação do CDI.
Ele explica que um fundo DI puro não pode ter rendimento superior ao CDI, uma vez que, ainda que obtenha rendimento idêntico a essa taxa, a cobrança da taxa de administração impede que a remuneração seja idêntica.
Há fundos de renda fixa que são administrados de modo ativo, ou seja, não são nem puramente prefixados nem DI. Nessas aplicações, o gestor do fundo decide, conforme a conjuntura de mercado, se a carteira tem mais papéis prefixados ou se a deixa atrelada à variação do CDI. Num momento de incerteza como o atual, a maior parte dessas aplicações deve estar protegida, ou seja, seguindo o DI.
Nesse tipo de aplicação, o investidor precisa ter muita confiança no administrador, pois o desempenho desses fundos depende da capacidade do gestor de avaliar a conjuntura.


