Fundos DI ainda batem os prefixados
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 23 de novembro de 1998
Agência Estado 
A trajetória de queda dos juros delineada pelo Banco Central (BC) nas duas últimas semanas traz a seguinte dúvida para o investidor: é melhor continuar com a segurança dos fundos DI, que acompanham a oscilação das taxas, ou vale a pena colocar parte do dinheiro em aplicações prefixadas (como fundos de renda fixa tradicionais e CDBs), que tendem a render mais quando os juros são cadentes? A resposta não pode ser dada agora, porque depende da expectativa de juros embutida nas aplicações prefixadas. Se as taxas no dia-a-dia caírem mais do que o previsto nas prefixadas, ganhará quem optou por elas; se a queda for mais lenta, os DI terão sido melhor opção. Hoje, a curva dos CDBs está muito próxima da que é projetada pelo DI futuro.
Diante disso, para o diretor de Asset Management do Credibanco, Fabio Colombo, o momento ainda não é o ideal para trocar os fundos DI por aplicações prefixadas. Ele entende que, se surgir alguma nova turbulência externa, por exemplo, o governo pode ser obrigado a alterar a trajetória dos juros. Além disso, qualquer dificuldade na aprovação das medidas de ajuste fiscal pode levar o BC a mudar o ritmo de redução das taxas. O governo reduz diariamente a taxa do over em 0,50 ponto porcentual.
Na sexta, o juro caiu de 37% para 36,5% ao ano. E Colombo entende que é provável que o governo não mantenha esse ritmo de queda dos juros, que levaria o over a 22% no fim deste ano. Ele entende que, como o governo trabalha com um um juro médio anualizado de 21,89% em 99, a velocidade de redução deve diminuir, pois assim haveria pouco espaço para cortar os juros no ano que vem.
O diretor do Banco AGF-Braseg, Kazuhiro Miyamoto, diz que a maior parte dos recursos deve ser aplicada nos DI, porque esses fundos ainda pagam rendimento expressivo. Mas uma parcela do dinheiro novo pode ir para aplicações prefixadas, acredita. Mas quem for comprar um CDB tem de checar se a taxa oferecida pelo banco é atraente. E é necessário conferir a qualidade de crédito do banco emissor. Se optar por fundos de renda fixa tradicionais, o investidor deve pedir antes o detalhamento da composição da carteira, recomenda Miyamoto. Ele lembra que a maioria dos fundos só tem papéis pós-fixados, já que o BC não leiloa títulos puramente prefixados há vários meses. Assim, prefixar as aplicações exige uma série de cuidados, ressalta.


