Fundos de pensão recuperam rentabilidade em 2009
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quarta-feira, 30 de setembro de 2009
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Os fundos de pensão brasileiros apresentaram nos primeiros sete meses de 2009 rentabilidade estimada de 11,71%, com perspectivas de fecharem o ano com 16,8% de rentabilidade. Os resultados mostram a recuperação do setor, que no ano passado, em função da crise financeira que gerou fortes quedas nas Bolsas de Valores, fechou o ano de 2008 com uma rentabilidade negativa de 1,62%.
Os números foram apresentados, ontem à imprensa, na abertura do 30º Congresso Brasileiro dos Fundos de Pensão, que acontece em Curitiba. Segundo o presidente da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp), José de Souza Mendonça, o desempenho positivo neste primeiro semestre veio reforçar a confiança dos fundos em cumprir suas obrigações junto aos participantes dos planos de benefícios.
A perspectiva é de que os fundos de pensão fechem o ano com um superavit acumulado de R$ 64,31 bilhões, valor ainda inferior ao pico de R$ 74,9 bilhões em dezembro de 2007, mas que mostra o crescimento em relação ao pior momento da crise, em dezembro de 2008, quando o superavit chegou a apenas R$ 38 bilhões. ''Isso mostra uma recuperação fantástica do setor'', disse.
Os resultados negativos de 2008, de acordo com Mendonça, não chegaram a representar nenhum risco para os participantes dos fundos, pois têm que ser analisados no contexto dos resultados acumulados aos longo dos últimos anos pelas Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC). De 2003 a 2009, segundo dados da Abrapp, a rentabilidade do setor foi de 220%, o dobro de suas necessidades atuariais do período, de 114%. ''Mantidos os níveis atuais na Bolsa, esperamos uma forte recuperação para os investimentos das entidades em renda variável e o resultado total das carteiras deverá ultrapassar de forma considerável as metas atuariais no final do ano'', declarou.
As novas normas para os investimentos dos fundos de pensão, aprovadas no último dia 24 pelo Conselho Monetário Nacional, segundo Mendonça, vieram flexibilizar as regras, mas não devem resultar em mudanças consideráveis. Em julho, as EFPC tinham 62,6% de seus ativos em renda fixa, 29,9% em renda variável, 3% em imóveis, 2,4% em empréstimos aos participantes e 2,1% em outros itens.
Existem hoje no Brasil cerca de 280 fundos de pensão. Essas entidades somavam, em junho, patrimônio total na ordem de R$ 485 bilhões, o equivalente a 18,5% do PIB nacional. No Brasil, os fundos têm 2,870 milhões de participantes, sendo 2,220 milhões ativos e 660 milhões assistidos. No Paraná, dados de junho da Abrapp apontam 14 entidades associadas com um patrimônio de R$ 10,6 milhões, 38.821 participantes, 76.586 dependentes e 15.536 participantes assistidos.
O maior fundo de pensão é a Previ, dos funcionáriso do Banco do Brasil, com patrimônio de R$ 129 milhões. No Paraná, o maior é a Fundação Copel, com investimentos de R$ 4,8 milhões e 9 mil participantes.


