Para a maioria dos fundos o investimento nas debêntures das construtoras é assunto proibido de ser falado. Procurados pela Folha, os fundos não quiseram comentar a transação, que poderá representar para eles perda de dinheiro. Funbep (Fundo de Pensão do Banestado), Corretora Banestado, Fundação Sanepar e Fundação Copel informaram que não poderiam se proncunciar.
Apenas a Celos (Fundo de Pensão dos Funcionários da Celesc–SC) informou que está aberta a negociação com as construtoras. Mas alertou que não pretende reduzir o montante da dívida acumulada até agora.
O diretor-financeiro da Celos, Evêncio Leal, avisa que o mais comum será alongar os prazos de compra das debêntures. ‘‘Repactuar é procedimento comum, mas com taxas inferiores é difícil’’, anuncia Leal. Mas ele reconhece que se o devedor tiver credibilidade e for ‘‘bom’’, isto é, estiver agindo de boa fé, a negociação acontecerá. Ele cita o caso do prédio construído próximo da Rua 24 Horas em Curitiba, onde a construtora concordou em abrir mão de todo o lucro para renegociar com os fundos de pensão.
Leal afirma que o negócio das debêntures seria um excelente negócio para os fundos caso houvesse o resgate dos papéis por parte das construtoras, pois houve uma valorização acima do esperado. Mas mesmo que isso não ocorra, não haverá resultado negativo para os fundos, garante. ‘‘O prédio construído é colocado em garantia para os fundos’’, diz. Em caso de renegociação, é comum haver um aumento da oferta de garantias.
A Folha procurou os demais fundos. Mas seus diretores se recusaram a dar informações. ‘‘É cedo para falar, porque o assunto está sendo discutido. É muito prematuro dizer algo’’, afirmou, pela sua secretária, o presidente da Fundação Copel, Luis César Miara. O presidente da Fundação Sanepar, José Roberto Carneiro, também disse, pela sua secretária, que não falaria. O Itaú, novo responsável pela Corretora Banestado e Funbep, afirmou: ‘‘O assunto precisa de tratamento personalizado devido ao excesso de detalhes. Por isso, o Itaú não comentará o caso’’. (C.M.).

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