Brasília - Os fundos de pensão querem aumentar seus investimentos em ações, diante da queda dos juros e dos menores ganhos com aplicações em renda fixa. Atualmente, a regulamentação do setor só permite que 50% da carteira seja de renda variável. Os fundos querem aumentar esse limite e pediram a alteração ao governo. A expectativa do setor é que o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprove essa mudança na sua próxima reunião, marcada para 31 de maio. Dados divulgados esta semana pela Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp) mostram que, no primeiro trimestre deste ano, R$ 3 bilhões em recursos antes investidos em renda fixa migraram para a renda variável, em função do cenário de queda na taxa básica de juros, a Selic, que remunera os títulos públicos federais.
  Segundo Fernando Pimentel, presidente da Abrapp, o ambiente de juros em queda no País levará os fundos de pensão a também orientar seus investimentos a projetos produtivos e de infra-estrutura. Os fundos estão atentos, em especial, aos projetos listados na Parceria Público-Privada (PPP) e no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Mas adverte que o governo ainda não fez sua lição de casa. ‘‘Ao atingir o grau de investimento, o Brasil terá a chance de tornar-se um grande receptor de investimentos estrangeiros e nacionais’’, afirmou, referindo-se à avaliação de risco do País por consultorias especializadas. ‘‘O desafio do governo será preparar e detalhar os projetos da PPP e do PAC, para que os fundos de pensão tenham claras perspectivas de segurança e de rentabilidade para investir neles’’, completou Pimentel.
  A Abrapp esperava que o CMN mudasse as regras de aplicação de suas carteiras já na última reunião, em 26 de abril. Frustrou-se com a omissão. Além do aumento do teto de 50% para a aplicação em renda variável, prevista na Resolução 2131 do CMN, a Abrapp espera a ampliação do atual prazo de enquadramento dos fundos, de seis meses. Para cumprir tais exigências, a Previ, maior fundo de pensão do País, terá de se desfazer de um total de R$ 5 bilhões de sua carteira de ações - dos quais R$ 2,4 bilhões já foram vendidos. Na visão da Abrapp, a tendência de transferência dos investimentos em renda fixa para renda variável é inevitável. Melhor seria, portanto, dar condições para que os fundos possam se adequar aos limites sem riscos maiores de prejuízo com a venda apressada de ações. Dados da associação mostraram que, de dezembro de 1998 a março de 2007, a fatia das aplicações em fundos de investimento em renda fixa na carteira dos fundos passou de 22,8% para 44,7%. ‘‘Podemos prever que, nos próximos nove anos, essa parcela retorne gradualmente à faixa dos 20%’’, afirmou.

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