Fundos de ações já têm novas normas
Agência Estado
De São Paulo
A partir de hoje a distinção entre os fundos mútuos de ações e os de carteira livre deixa de existir. No lugar dos Fundos de Investimentos em Títulos e Valores Mobiliários (FITVM) surgem os Fundos de Investimentos em Ações (FIA), sigla já adotada pelo mercado para esse tipo de produto.
Os fundos mútuos eram considerados conservadores e menos arriscados para o investidor. Porém, o mercado avalia que o risco nunca deixou de existir embora se tratasse de um fundo mútuo. Ao contrário, ele era considerado um entrave aos negócios.
A legislação anterior, de 1994 era o que havia de mais retrógrado. Um fundo mútuo não significava maior segurança. Foi na carteira livre que se conseguiu criar fundos passivos (de menor risco), argumenta Dilma Barbosa Lima, diretora de Fundos do BankBoston. O carteira livre era o mercado que mais crescia, justamente por causa da maior flexibilidade. Os mútuos permaneciam em níveis estáveis, lembra José Antônio Prescimotti, diretor adjunto do Sudameris.
Mesmo tido como a evolução do mercado acionário, o fundo de carteira livre trouxe distorções, como a cobrança da taxa de performance. A imagem negativa, segundo Roberto Parenti, diretor da área de Investimentos do Bradesco é resultante da cultura nacional, que preferiu centralizar a cobrança na taxa de administração. Por conta desse movimento, boa parte das instituições encareceu a taxa de administração. Há custos elevados pelos serviços (análise, pesquisa, contabilidade, corretor, e etc).
Como o custo do serviço estava digerido na base da taxa de performance, acabou ocorrendo exageros. Mas, no exterior, a taxa média de administração é de 2%, enquanto aqui há taxas inferiores a 1%, exemplifica. Para o investidor as mudanças vão trazer transparência. Agora, é obrigatória a apresentação de prospecto contendo todos os dados sobre o tipo de aplicação e níveis de riscos a ser corrido.
O cotista terá ainda que tomar conhecimento das assembléias, avisadas pelos bancos via correspondência. Em compensação, o investidor terá de atestar, por meio de formulário de adesão, seu conhecimento quanto à política de investimento, conforme informada nos prospectos e regulamentos desses fundos de ações. Apesar das dúvidas em torno da taxa de performance, o fim da cobrança sobre recursos inferiores a R$ 50 mil aumenta a proteção dos pequenos investidores, que têm mais dificuldade para acompanhar as mudanças do mercado.
A taxa de performance confunde o pequeno cotista, que precisaria entender muito bem de rendimento, tributação e índices envolvidos nas aplicações dos fundos de ações, diz Aline Côrrea, diretora-adjunta de Produtos de Investimentos do Banco Santander. A executiva e outros especialistas concordam num ponto: o investidor precisa acompanhar de perto o gestor, seu desempenho num prazo médio de três anos e verificar os resultados atingidos por ele.





