Buenos Aires - O ministro argentino da Economia, Roberto Lavagna, terá que explicar a partir de hoje à missão do Fundo Monetário Internacional (FMI) os porquês dos atrasos na concretização de uma série de metas pactadas com o organismo financeiro no acordo assinado em setembro do ano passado.
A missão, que desembarcou ontem na capital argentina, veio avaliar se há condições para aprovar a terceira revisão das metas. Essa revisão está sendo considerada fundamental, já que preparará o cenário para as duras negociações de setembro, quando o governo do presidente Néstor Kirchner terá que definir com o FMI as condições do acordo pelos próximos dois anos e meio. Ou seja, definir quais serão as obrigações de Kirchner até o fim de seu mandato.
Antes de tudo, Lavagna mostrará aos enviados do Fundo que foi um bom aluno no quesito ''superávit fiscal primário''. O ministro poderá exibir um sobre-cumprimento nesta matéria, já que em vez dos US$ 1,1 bilhão originalmente pactado como meta para o primeiro semestre, Lavagna obteve US$ 3,98 bilhões.
Mas essa é a única matéria na qual Lavagna foi um aluno aplicado. O ministro está atrasado em três meses na aprovação da compensação aos bancos pelos problemas causados pela megadesvalorização do peso em janeiro de 2002.
Além disso, terá pouco tempo para finalizar a renegociação de 39 contratos de empresas privatizadas de serviços públicos, que teria que estar pronta a fins de julho.
Para complicar as negociações, o FMI chega à Buenos Aires em um dos momentos políticos mais tensos do governo Kirchner. O presidente está pela primeira vez em confronto direto com seu ex-padrinho político, o ex-presidente Eduardo Duhalde.
O pivô da crise que ameaça acabar com a ''guerra fria'' que se desenrolava desde o início do ano e que agora pode transformar-se em uma ''guerra quente'' é a disputa pela aprovação da nova lei de co-participação federal. Essa lei, que é exigida pelo FMI, estabelece a distribuição da arrecadação tributária entre a União e as províncias.

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