Fundo recomenda ao Brasil maior abertura comercial
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domingo, 14 de abril de 2002
Lu Aiko Otta Agência Estado 
O Brasil precisa enfrentar menos restrições a seus produtos, para poder exportar mais e assim ampliar sua abertura comercial. Esse é o comentário do secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, José Guilherme Dias dos Reis, sobre estudo elaborado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) que recomenda maior abertura comercial ao País.
Os analistas do Fundo investigaram por que as economias emergentes, como o Brasil, sofrem tanto com as crises financeiras internacionais. Além de maior abertura, eles recomendaram a redução da dívida, especialmente aquela referenciada em dólares.
Reis concorda com a avaliação de que é necessário ampliar as exportações e lembra que o governo trabalha intensamente nessa direção.O Brasil avançou muito nessa área e ainda tem muito a avançar, comentou. O problema que parece claro é que há uma assimetria entre a exposição das economias emergentes (aos produtos importados) e o acesso que seus produtos têm aos demais mercados. Reis lembra que a discussão sobre abertura comercial não pode ser feita por apenas uma parte dos países envolvidos na discussão.
Este não é um momento particularmente favorável para ampliar a abertura, reconheceu o secretário. Os Estados Unidos desencadearam uma onda de protecionismo no mercado mundial de aço, ao estabelecer cotas e sobretaxas para os produtos siderúrgicos que importam do mundo inteiro, exceto Canadá e México. Além disso, a nova legislação para o setor agrícola em discussão no Congresso norte-americano aponta para o aumento da proteção e dos subsídios concedidos ao setor.
José Guilherme disse que o governo também vem tentando reduzir a parcela da dívida pública atrelada à variação cambial uma recomendação repetida em todas as análises que o FMI faz sobre a economia brasileira. Em fevereiro, último dado disponível, essa participação era de 28,7%. Estamos fazendo a substituição desses títulos à medida em que as condições de mercado assim o permitem, disse Reis.
Ele explicou que o processo de redução de dívida referenciada em dólares avançou em 2000, mas sofreu um retrocesso em 2001, devido à sucessão de crises ocorrida naquele ano. As trocas vêm sendo feitas aos poucos em 2002. Na próxima quinta-feira, por exemplo, vencem US$ 1,8 bilhão em dívidas federais corrigidas pelo câmbio. O Banco Central pretende rolar apenas o principal com o mesmo tipo de papel.
Na avaliação do secretário de Política Econômica, o risco de o País ser novamente afetado por crises ocorridas no exterior não estão afastadas. A crise na Venezuela, com o presidente Hugo Chávez sendo deposto na última sexta-feira e reempossado ontem, consolida mais um foco de instabilidade política na região, ao lado da Argentina. Muitas pessoas avaliavam que já estaríamos afetados por essas crises, mas eu acho que não, disse ele.
A crise argentina, segundo lembrou, afetou o fluxo comercial do Brasil. As exportações para aquele país caíram 67% neste ano. Também a instabilidade na Venezuela preocupa o governo, muito embora o efeito mais imediato da crise naquele país tenha sido positivo para a economia brasileira. Chávez era um dos principais coordenadores do cartel dos países produtores de petróleo, que havia cortado sua produção para forçar um aumento nos preços. A saída de Chávez abriu a perspectiva de elevação na produção da Venezuela, e o efeito foi a queda na cotação do barril de petróleo. Resta saber como o mercado interpretará sua volta.


