Brasília - O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Horst Kohler, prometeu ontem, em Brasília, construir um ‘‘novo capítulo em suas relações com os países da América Latina’’.
  Após churrasco com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro Antonio Palocci (Fazenda) e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, o diretor do Fundo indicou que, na prática, deve haver duas mudanças importantes nas negociações com os países.
  A primeira prevê maior autonomia para os países da América Latina adotarem políticas econômicas próprias. O FMI costuma ser acusado por críticos de interferir nas políticas de países a quem empresta dinheiro.
  ‘‘Países como o Brasil demonstram que o tempo em que era necessário dizer o que é certo ou errado na política econômica acabou. O ministro (Palocci) e o presidente do Banco Central (Meirelles) sabem muito bem que linha seguir. Portanto, o FMI precisa agora definir um novo capítulo em suas relações com o AL’’, disse.
  Esse ‘‘novo capítulo’, segundo Kohler, também se concentra na assinatura de acordos ‘‘preventivos’, que funcionariam como um seguro em caso de choques externos ou mudanças no cenário econômico.
  Em dezembro, o Brasil, por exemplo, fechou um acordo preventivo de US$ 14,8 bilhões que prevê que os recursos só serão sacados caso o País enfrente nova turbulência econômica.
  A possibilidade de fechar esse tipo de acordo, também caracterizado por uma duração menor, seria agora estendida a outros países da América Latina.
  ‘‘Eles (os latino-americanos) podem confiar em um apoio pró-ativo e em tempo hábil do FMI, incluindo a ferramenta de acordos preventivos’’, disse Kohler.
  A segunda alteração nas relações prevê que, em momentos de crescimento econômico, sejam aumentados os investimentos do governo em infra-estrutura. Em janeiro, Kohler já havia dito que estudava retirar os gastos com infra-estrutura do cálculo do superávit primário (dinheiro que os países economizam para pagar juros da dívida).
  Ontem, Kohler prometeu elaborar a fórmula para a implementação dessa nova política ainda neste ano.
  ‘‘É preocupante que os investimentos em infra-estrutura em países da América Latina tenham declinado na última década. Instruí o pessoal técnico do FMI a trabalhar em um política que será discutida com o Conselho Diretor (do Fundo) para que neste ano possamos ter um conceito bem claro de como investimentos em infra-estrutura poderiam aumentar dentro de um arcabouço de disciplina fiscal’’, disse.

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