Atualizando sua previsão econômica para que ela também incluísse os efeitos dos ataques terroristas de 11 de setembro, o Fundo Monetário Internacional reduziu significativamente suas estimativas de crescimento nos Estados Unidos no próximo ano e também reduziu dramaticamente suas previsões para a economia do Japão.
Segundo revelou, o FMI ainda espera por uma recuperação econômica nos Estados Unidos, mas reduziu sua previsão de crescimento do ano inteiro para apenas 0,7%. Esse seria o desempenho mais fraco registrado desde o fim da última recessão, em 1991. Há apenas um mês, o FMI previa que a economia americana teria um índice de expansão mais respeitável de 2,2% em 2002.
A instituição informou que o Japão, a segunda maior economia mundial, sofrerá uma contração de 1,3%, após a queda de 0,9% registrada este ano. Em outubro o FMI havia previsto um declínio econômico mais brando no Japão, com a expectativa de que sua economia tivesse baixa de 0,5% este ano, mas prevendo um crescimento ligeiramente positivo, de 0,2% em 2002.
Com as reduções significativas das perspectivas de crescimento das duas maiores economias do mundo, o FMI reduziu para 2,4% as suas expectativas de crescimento global para este ano e o próximo.

Muitos economistas acreditam que qualquer índice de crescimento global inferior a 2,5% constituiria uma recessão mundial, tendo-se em vista que o aumento da produção econômica não é suficiente para atender às necessidades de uma população em expansão. No mês passado o FMI estimou o crescimento global em 2,6% para este ano e em 3,5% para 2002.
A nova previsão de crescimento foi preparada para as reuniões das comissões incumbidas de estabelecer a política do FMI, que abrange 183 nações, e de outra instituição de empréstimos, o Banco Mundial. As reuniões se realizarão em Oslo, neste fim de semana.
Em conversa com os repórteres a respeito das novas previsões, o diretor administrativo do FMI, Horst Koehler, disse que os responsáveis pela política econômica enfrentam ''um extraordinário grau de incerteza'' desde os ataques terroristas desfechados na cidade de Nova York e em Washington. A situação é difícil, sem dúvida, mas é administrável e continuaremos a esperar pela recuperação no próximo ano,'' disse Koehler.
A economia dos Estados Unidos entrou em território negativo no trimestre julho-setembro, declinando à taxa anual de 0,4%. Muitos analistas acreditam que a contração está se acelerando neste trimestre.

A National Association for Business Economics Nabe divulgou uma previsão atualizada, na quarta-feira, contendo a projeção de uma queda do PIB a uma porcentagem anual de 2% no período de outubro-dezembro.
Para o ano inteiro de 2001 a previsão da Nabe coloca o crescimento dos Estados Unidos em 1,1% a mesma estimativa feita pelo FMI em sua nova previsão.
Koehler aplaudiu as medidas adotadas pela Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), que reduziu as taxas de juros 10 vezes este ano, até aqui, mas ressaltou que é essencial que o Congresso ''explique o seu pacote de estímulo fiscal.'' A administração Bush propôs o corte de novas despesas e de impostos no valor de US$ 100 bilhões, mas a medida ainda não foi aprovada pelo Congresso. Os democratas opõem objeções, afirmando que há necessidade de modificá-la, de forma a oferecer maior ajuda aos trabalhadores de baixa renda. Para a União Européia, o FMI projetou um crescimento calculado entre 1,4% e 1,7% para este ano. Isso representou uma pequena revisão para menos em outubro o FMI havia previsto um crescimento de 1,8% para 2001 e de 2,2% para o próximo ano.

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