Fundo Monetário teria aprovado a flutuação do dólar de acordo com o mercado; BC divulga comunicado pela manhã
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segunda-feira, 18 de janeiro de 1999
Das agências 
O comunicado que o Banco Central divulga hoje ao mercado manterá a livre flutuação do câmbio, garantiu ontem um dos participantes da reunião entre representantes do governo brasileiro e o Fundo Monetário Internacional (FMI). Segundo esta fonte, o FMI aprovou a decisão do governo de adotar o câmbio livre, na última sexta-feira, medida que será mantida hoje. O regime é esse que está aí. O governo vai deixar o câmbio flutuar, assegurou a mesma fonte, lembrando que se trata de uma experiência vivida por outros países. Todos terão que aprender a conviver com esta nova política cambial, acrescentou. Na expectativa desta fonte, em algum momento, o Fundo Monetário Internacional se manifestará oficialmente apoiando a nova política cambial brasileira.
Francisco Lopes, presidente do BC, disse que as conversas da equipe econômica com o Fundo Monetário Internacional (FMI) em Washington estão indo muito bem. O presidente do Banco Central retornou ao Brasil para poder acompanhar, pessoalmente, o dia de hoje no mercado financeiro. Ele chegou aos Estados Unidos, sábado pela manhã, acompanhado do ministro da Fazenda, Pedro Malan, e do secretário de Política Econômica, Amaury Bier. Malan e Amaury continuam em Washington em reuniões com o Fundo Monetário.
A decisão de manter o câmbio livre foi tomada principalmente considerando-se a reação dos mercados na sexta-feira, o que já permitia previa que era mais fácil o governo deixar o câmbio mais livre a partir de agora. Se é assim, torna-se bastante provável uma variação mais acentuada nos preços do dólar diante do real.
Isso significa que, agora, tudo vai depender da oferta e da procura. Sempre que a procura por parte de importadores ou de quem precisa remeter dólares para fora for maior que a oferta as cotações tendem a subir; ao contrário, sempre que a oferta por exportadores ou investidores estrangeiros for expressiva e maior que a procura, a tendência será de queda dos preços da moeda norte-americana. Não fica descartada a intervenção do BC quando houver pressão em uma das pontas.
Em termos práticos, isso vai trazer uma dose de insegurança para todos que têm compromissos em dólar. Nesse caso, é preciso buscar proteção, seja com a compra de moeda ou aplicação do dinheiro em opções com remuneração atrelada à variação cambial. Não se trata de especular contra o real, mas de evitar ser pego de surpresa e ficar sem condições de pagar a dívida depois.
Em contrapartida, as mudanças no câmbio também têm lá seus aspectos positivos: elas tendem a ajudar o governo a defender a estabilidade da moeda e, portanto, o Plano Real. Além disso, a desvalorização deve inibir a saída de reservas, porque os dólares ficaram mais caros para ser remetidos para fora.


