Fundo elogia pagamento antecipado
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quinta-feira, 14 de julho de 2005
Paulo Sotero<br>Agência Estado 
Washington O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Rodrigo Rato, aplaudiu a decisão do governo brasileiro de pagar adiantado US$ 5,1 bilhões da dívida de pouco mais de US$ 20 bilhões com a instituição e elogiou as autoridades econômicas do País por seus sucessos nos últimos anos.
Rato observou que a capacidade do Brasil de antecipar o pagamento referente ao ''Supplemental Finance Facility'', que é a parte mais cara da dívida com o FMI, ''reflete a forte moldura macroeconômica e institucional existente e uma posição de balanço de pagamentos muito mais forte do que se antecipava, o que reflete em larga medida o desempenho impressionante das exportações''. Segundo ele, ''políticas econômicas sólidas e reformas (econômicas) reduziram significativamente as vulnerabilidades e aumentaram a confiança na economia''.
No mercado financeiro, o pagamento adiantado ao Fundo deve reforçar a blindagem da economia brasileira em meio à pior crise política do governo Lula, pois confirmará a leitura positiva que o mercado financeiro já vinha fazendo sobre a conjuntura, a despeito do ''mensalão'' e de dólares encontrados em malas e cuecas. ''Os indicadores da economia continuam melhorando e a última pesquisa de opinião mostrou que o presidente Lula está politicamente preservado'', disse o economista Ricardo Amorim, chefe do Departamento de Pesquisa para a América Latina do WestLB, em Nova York.
Ele lembrou que a conjuntura mundial continua favorável, com grande liquidez de capital em busca da boa remuneração oferecida pelo Brasil. ''As exportações continuam aumentando e a inflação está caindo, o que abre a possibilidade de uma redução de juros no segundo semestre'', explicou.
Segundo Amorim, a percepção de que o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, tem se fortalecido é também parte da tranquilidade com que o mercado vem acompanhando a crise. Segundo ele, a posição do ministro é reforçada pela decisão do governo de adiantar o pagamento ao FMI, na medida em que mostra que Palocci e a equipe econômica mantêm a capacidade de atuar e produzir boas notícias no momento em que o resto do governo permanece atordoado e sem ação e o Congresso está paralisado.


