Fundo dos EUA pode investir no Brasil
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quarta-feira, 28 de maio de 2003
Nilson Brandão Junior e Adriana Chiarini<br> Agência Estado 
Rio de Janeiro O Calpers, maior fundo de pensão dos Estados Unidos, com ativos de US$ 130,7 bilhões (número de março), vai se reunir hoje com os maiores fundos de pensão e bancos oficiais brasileiros para discutir a alternativa de investimentos no País. O presidente do conselho de administração do fundo americano, Sean Herrigan, vai se encontrar com os principais executivos dos fundos brasileiros Previ e Petros e das instituições Caixa Econômica Federal (CEF), Banco do Brasil e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
A reunião foi confirmada pelo presidente da Previ, Sérgio Rosa, que participa do I Seminário Internacional de Fundos de Pensão. O Calpers, fundo de pensão dos funcionários públicos da Califórnia, tem 13 milhões de associados. Segundo Rosa, o encontro servirá para o fundo americano explicar o processo de tomada de decisão de investimentos, enquanto o lado brasileiro deverá mostrar que o País oferece boas oportunidades de negócios.
Rosa admitiu a possibilidade de o fundo americano montar parceria de investimentos no mercado brasileiro. ''A presença dele (Herrigan) no País é sinal de que estão dispostos a investir no Brasil'', comentou. Algumas das possibilidades, prossegue o presidente da Previ, seriam a formação de fundos de investimentos tendo com o Calpers e entidades brasileiras como cotistas ou empresas de interesse comum.
Em avaliação de risco feita pelo Calpers, o Brasil está em um nível pouco acima do nível dois, numa escala de zero a quatro. Sean Herrigan explicou que o fundo leva em conta, com 50% de peso, indicadores de mercado como liquidez, volatilidade, custo de transação e grau de abertura do mercado de capitais. Os outros 50% ficam com o que chamou de fatores de risco do País, em que são consideradas a transparência, as práticas trabalhistas e a estabilidade política.
Herrigan elogiou as leis trabalhistas brasileiras, mas recomendou que elas sejam mais bem executadas. Recomendou também que o Brasil passe a adotar o sistema internacional de contabilidade para listagem de empresas em bolsa de valores.
''Essa convergência é o maior passo que o Brasil poderia dar para aumentar a transparência corporativa'', disse Herrigan, durante o 1º Seminário Internacional de Fundos de Pensão. Ele elogiou a intenção do País em promover as reformas estruturais e comentou que são dificuldades do Brasil a história inflacionária, a questão fiscal, a necessidade de atração de investimentos e ''a questão da altíssima taxa de juros''.
A Calpers tem investidos no Brasil US$ 228 milhões em mais de 60 empresas. O patrimônio total do fundo é de US$ 138 bilhões, e US$ 23 bilhões estão investidos fora dos Estados Unidos. O total que o Calpers investe em países emergentes é de US$ 1,8 bilhão, em 27 países. Dessa lista, a atual administração só recomenda novas aplicações em 14, entre os quais o Brasil.


