Brasília O chefe da missão do Fundo Monetário Internacional (FMI), Jorge Marquez-Ruarte, que veio ao País checar o cumprimento das metas do acordo, disse ontem ser importante que a reforma da Previdência saia com ''certos princípios básicos''. ''Para nós, é importante que a reforma saia com certos princípios básicos, mas a forma específica é algo que o governo e o Congresso vão decidir'', afirmou.
Após reunir-se com o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, Ruarte disse que vai recomendar à diretoria da instituição que aprove os termos da penúltima revisão do acordo com o Brasil. As metas do acordo, segundo ele, não foram alteradas. Se a revisão for aprovada, o Brasil poderá sacar a próxima parcela do empréstimo contratado no ano passado, no valor de US$ 4 bilhões.
Palocci não quis adiantar a decisão do governo de sacar ou não essa parcela. ''Não podemos falar em sacar antes de ter os recursos aprovados, até em respeito ao 'board' do Fundo'', disse o ministro. A cúpula do FMI deve examinar o assunto em meados de setembro.
Ruarte recomendou ao governo que continue com a disciplina fiscal e mantenha o foco na redução da inflação para permitir a queda da taxa de juros. ''A economia está nesse momento numa posição de recuperar um ritmo mais rápido de crescimento'', disse. ''Tudo vai nessa direção. As taxas de juros estão baixando, a taxa de inflação está convergindo para as metas e esse é um ambiente econômico que possibilita a tomada de decisões'', afirmou. Na sua avaliação, esse cenário vai estimular mais investimentos no País.
''Esperamos que o crescimento suba em 2004 e siga subindo em 2005'', previu ele, sem, no entanto, arriscar números. Ruarte destacou também a queda do risco Brasil, que passou de níveis acima de 2.000 para algo em torno de 800. ''Isso significa que há muito mais acesso ao mercado internacional. Tudo isso ajuda a criar um ambiente que possibilita maior investimento e maior demanda doméstica, ao mesmo tempo que há uma muito boa conduta do comércio exterior. Para o curto prazo, creio que o Brasil esteja em uma boa posição'', afirmou ele, fazendo um alerta em seguida: ''Para o longo prazo, as políticas estruturais têm de continuar para ajudar o crescimento''.

mockup