Fundo de Aval terá mais R$ 4 milhões
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quarta-feira, 21 de setembro de 2005
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O Fundo de Aval que garante operações de financiamento para investimentos da Agricultura Familiar terá um acréscimo de R$ 4 milhões na safra 2005/06. Com isso, o Fundo de Aval passa a operar no Paraná com um volume de R$ 6 milhões, que poderão alavancar operações de investimentos até o valor de R$ 60 milhões.
O governador Roberto Requião (PMDB) confirmou o repasse dos recursos do Tesouro Estadual ao Fundo de Aval Garantidor da Agricultura Familiar (Pronaf) do Estado do Paraná, ontem, quando recebeu os trabalhadores rurais que partiparam do movimento Grito da Terra. O movimento, que reuniu cerca de mil manifestantes em frente ao Palácio Iguaçu, em Curitiba, foi organizado pela Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Paraná (Fetaep).
Essa foi uma das principais conquistas do movimento, comemorou o presidente da Fetaep, Ademir Muller. O governador prometeu ainda mais R$ 2 milhões para o ano que vem, devendo totalizar R$ 8 milhões na safra 06/07.
Com a elevação dos recursos mantidos no Fundo de Aval, o coordenador do programa Sérgio Gutierrez, da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), disse que será possível realizar 10 mil operações de crédito até o final do ano, que irá beneficiar 50 mil pessoas no campo.
Cerca de 80% dos recursos do Fundo são direcionados aos municípios do Paraná com menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Segundo o secretário da Agricultura, Orlando Pessuti, a iniciativa é coerente com a política estadual em favorecer os agricultores mais necessitados. ''Com isso, nós contribuímos para que haja um maior equilíbrio sócio-econômico entre as diferentes regiões do estado'', destacou.
Os recursos destinam-se a investimentos em infra-estrutura, como a construção de instalações no meio rural, aquisição de máquinas e equipamentos, compra de animais como gado de leite, suínos e aves , agricultura orgânica, criação de bicho-da-seda, cultivo de frutas e café, irrigação e outras atividades produtivas, que contribuem para o aumento da produção, renda e emprego no campo.
Segundo Muller, o programa de habitação rural deverá ser o tema do Grito da Terra no ano que vem. De acordo com o presidente da Fetaep, os trabalhadores rurais querem ter acesso a um Pronaf Habitação, uma linha de crédito para financiar a construção ou reformas de moradias no meio rural. Ele estima que no Paraná há urgência em construir ou reformar 30 mil residências de pequenos agricultores e trabalhadores que estão vivendo em ''condições lamentáveis''. Segundo Muller, o trabalhador quer pagar esse empréstimo no prazo de oito a 10 anos.
O Grito da Terra também conseguiu o apoio do governador para reduzir a informalidade no campo, que hoje é de 70%. O secretário do Trabalho, Emprego e Promoção Social, padre Roque Zimermann vai elaborar um projeto de lei que prevê sanções do governo do Estado aos empregadores que não cumprem a legislação trabalhista.


