Fundo de ação terá tarja preta em 99
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domingo, 09 de agosto de 1998
Agência Estado 
Com a estabilidade econômica, queda da inflação e das taxas de juros, o rendimento das aplicações de renda fixa também encolheu. Por isso, o momento parece adequado para que pequenos e médios investidores conheçam outras modalidades de aplicação financeira que podem propiciar retorno mais atraente. Entre as opções disponíveis no mercado, os fundos de ações merecem atenção. A família desses fundos é grande e, dependendo da política de investimento do administrador, o fundo pode ser mais ou menos agressivo. Mas o risco a que o investidor estará sujeito nesses fundos, a partir de janeiro, terá de ser revelado pelo administrador diretamente ao investidor ou por meio de uma tarja preta em anúncios publicitários.
Essa exigência da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), definida semana passada, tende a oferecer maior segurança ao interessado e a tornar esses fundos mais conhecidos no mercado. Isso porque a CVM também vai exigir que sejam entregues ao investidor, antes que a aplicação seja realizada, prospectos atualizados que contenham informações sobre o administrador, o gestor, os prestadores de serviços, a política de investimentos, a rentabilidade passada, os riscos da carteira de aplicações e os papéis que poderão fazer parte dela. Com isso, o interessado poderá avaliar o desempenho da aplicação, tirar dúvidas e decidir-se com certa segurança. Feita a aplicação, o administrador também terá de classificar e divulgar aos cotistas o risco da política de investimentos para o fundo.
Por ser uma aplicação de risco, a administradora dos fundos de renda variável do Banco Fator, Roseli Machado, orienta o investidor interessado em diversificar suas aplicações que desloque apenas parte dos recursos disponíveis para os fundos de ações e, ainda assim, por um período longo, de dois a três anos. Essa aplicação é arriscada porque a rentabilidade oferecida depende do comportamento das Bolsas de Valores, que atravessam momento de grande volatilidade.
A saída desse tipo de aplicação antes de dois anos poderá acarretar ganho inexpressivo ou até eventual perda, porque o cenário interno e externo ainda tende a permanecer conturbado e indefinido por mais algum tempo, diz Álvaro Armond, diretor de Marketing e Produtos da Lloyds Asset Management (LAM). Segundo ele, há três tipos de fundos de ações: os que têm por objetivo reproduzir 100% o comportamento do Ibovespa, também conhecidos por indicial passivo; aqueles que pretendem manter rentabilidade próxima da do Ibovespa, com possibilidade de superá-la, chamados de indicial ativo; e, ainda, os fundamentalistas, que buscam papéis com potencial de alta em determinados setores, como telecomunicações e energia elétrica.


