No final do ano passado, a maioria dos analistas financeiros recomendava: fundos de renda fixa e ações serão os melhores investimentos em 2001. O primeiro porque os juros iriam continuar caindo, o que favoreceria quem tivesse título prefixado. O segundo porque era esperada uma recuperação para a Bolsa a partir do segundo trimestre. Dólar? Nem pensar. Estaria custando no máximo R$ 2,10 no final do ano.
O primeiro semestre fechou transgredindo todas as recomendações. Com a redução da atividade econômica nos EUA, crise na Argentina e falta de energia elétrica, a entrada de capital estrangeiro no país diminuiu, o mercado acionário ficou estagnado, os juros subiram e o dólar decolou assustadoramente.
Sorte de quem entrou em fundos cambiais. Eles fecharam o semestre com uma rentabilidade média de 21,81%. Os fundos DI, considerados os mais seguros, também se saíram bem, já que acompanham a curva da Selic (juro básico da economia) e são favorecidos sempre que ela sobe, como aconteceu entre os meses de março e junho. Eles renderam, em média, 7,03% no semestre.
Os fundos de renda fixa, que seriam a bola da vez, fecharam com 6,55%. Já os fundos de ações Ibovespa (Índice da Bolsa de Valores de São Paulo), ativos ou não, perderam, em média, 3,34%.
É importante frisar que, em todas as categorias, houve fundos que surpreenderam tanto para cima como para baixo da média do mercado. Por isso, antes de fazer uma aplicação, o investidor tem de escolher com muito critério a categoria onde ele vai colocar o seu dinheiro e, com mais rigor ainda, o fundo que vai atender às suas expectativas.
As dicas do professor Alberto Borges Matias, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP de Ribeirão Preto, são: checar a rentabilidade do fundo nos últimos 12 meses, para ver se ela é consistente ou episódica; saber quem são os gestores do fundo e qual a qualificação deles; solicitar a composição da carteira de investimentos; observar a taxa de administração; e lembrar que, quanto maior o retorno, maior o risco.
No caso dos fundos DI, explica Rogério Figueiredo, diretor do Agrif, como o gestor tem pouca margem de manobra para se diferenciar da concorrência, é muito importante olhar a taxa de administração anual. Alguns fundos chegam a cobrar 8% ao ano sobre o valor do patrimônio, o que derruba o seu ganho para abaixo do da poupança. ‘‘É inaceitável. O ideal é 1%, no máximo 2%’’, diz.
Nos fundos de renda fixa, diz Figueiredo, é preciso olhar, além da taxa de administração (‘‘no máximo 2%’’) e histórico, a política de investimentos. Esse tipo de fundo tem mais risco que um DI e exige que o gestor seja habilidoso e tenha capacidade de antever para onde vão os juros.
Analisando-se os resultados dos últimos meses, a maioria dos renda fixa tem adotado uma postura mais conservadora desde maio. Em março e abril, quando o Banco Central aumentou a Selic, muitos tiveram oscilação negativa de cota. Em maio e junho, os aumentos já não causaram surpresas, e os resultados dos fundos já não apresentaram tanta volatilidade. ‘‘Os gestores se adaptaram ao cenário de alta dos juros’’, afirma Figueiredo.

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