Fundo ainda não negocia na Argentina
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quinta-feira, 13 de junho de 2002
Agência Estado 
Buenos Aires - Se fosse por vontade do governo argentino, gostaríamos de assinar o acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) hoje mesmo. O desabafo foi pronunciado ontem pelo chefe do gabinete de ministros, Alfredo Atanasof, exatamente no dia da chegada da missão do FMI à Buenos Aires. Mas o governo do presidente Eduardo Duhalde terá de esperar.
Comandada pelo inglês John Thorton, a missão limitada não entrará na etapa negociadora, se restringirá a analisar os números da economia argentina e - possivelmente - apresentará novas exigências. A missão definitiva, de caráter negociador, chegaria em cinco semanas. Só depois, se tudo correr bem, seria fechado um acordo com o Fundo.
Atanasof afirmou que a esperança do governo é que o FMI permita o adiamento dos vencimentos da dívida que a Argentina possui este ano com o FMI e outros organismos financeiros internacionais. No total, seriam US$ 9 bilhões que o governo Duhalde espera que sejam rolados. Desde o início deste ano o governo já pagou US$ 1 bilhão aos organismos financeiros, sempre recorrendo às exauridas reservas do Banco Central.
Se o acordo com o FMI não sair, o governo espera pelo pior. No entanto, tanto na Casa Rosada, a sede do governo, como no ministério da Economia, admite-se que não existe um Plano B para o caso de inexistência da ajuda financeira do Fundo. Esta ausência de alternativas foi confirmada por Lavagna em uma conversa com parlamentares.
Lavagna recebeu Thorton ontem no ministério da Economia. Durante o diálogo, o ministro propôs um adiamento dos pagamentos da dívida que a Argentina possui para este ano e 2003 com os organismos financeiros internacionais. Desta forma, a Argentina só começaria a pagar a partir de 2004.
Depois dessa reunião, Thorton e seus assessores passaram para outra sala, onde reuniram-se com o secretário de Finanças, Guillermo Nielsen, que lhes explicou como o governo pretende reestruturar a dívida externa pública argentina, além dos detalhes do programa fiscal.
O primeiro dia foi movimentado. No início da noite de ontem, a missão preparava-se para reunir-se com o chefe do gabinete de ministros.
Enquanto isso, o governo prepara uma viagem de Lavagna para Washington, assim que a missão atual do FMI estiver perto de seu fim. O ministro iria à capital americana acompanhado por um grupo de governadores.
A intenção é a de demonstrar que o governo possui o respaldo dos governadores, que controlam o interior do país e o Congresso Nacional. Lavagna iria acompanhado pelos governadores da província de Buenos Aires, Santa Fe e Salta. O interesse dos governadores, no entanto, é o de obter do fundo uma permissão para realizar um ajuste fiscal menos rigoroso.


