Curitiba - Representantes de entidades integrantes do Fundo de Desenvolvimento da Agropecuária do Paraná (Fundepec) encaminharam ontem ofício ao vice-governador e secretário da Agricultura, Orlando Pessuti. No documento, eles requisitam que o governo do Estado desista da idéia de entrar com ação judicial contra o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para revogar a confirmação de foco de febre aftosa na Fazenda Cachoeira, em São Sebastião da Amoreira (47 km ao sul de Cornélio Procópio). E sugerem o sacrifício sanitário dos animais da propriedade.
''A ocorrência da doença no Estado do Paraná, para efeito do código sanitário para animais terrestres da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), é fato consumado, uma vez que o ministério (...) já comunicou oficialmente o fato àquela organização'', diz um trecho do ofício.
As entidades citam que há ''duas alternativas para a recuperação do status sanitário anterior ao evento, com os respectivos prazos: seis meses depois do último caso, se forem aplicados o sacrifício sanitário, a vigilância sorológica e a vacinação em caso de emergência (...), ou 18 meses depois do último caso, se não se aplica o sacrifício sanitário, porém foi efetuada a vacinação em caso de emergência e a vigilância sorológica (...)''.
''Frente a tal situação, qualquer medida protelatória, seja ela administrativa, política ou judicial interna no País, se tornará inócua sob o aspecto de reconhecimento sanitário internacional e altamente prejudicial quanto à expectativa de recuperação da credibilidade comercial brasileira'', continua o ofício.
''As entidades componentes do Fundepec resolvem por unanimidade recomendar ao governo do Estado a adoção das medidas preconizadas pela OIE, mesmo que envolva o sacrifício sanitário dos animais, com o intuito de estancar com a maior brevidade os incalculáveis prejuízos que estão sofrendo as cadeias produtivas de carnes bovina, suína, avícola e de produtos lácteos'', concluem os representantes.
Na semana passada, o governo do Estado havia informado que entraria com ação judicial para que o Mapa anulasse a confirmação do foco de aftosa no Paraná. Segundo a assessoria de Pessuti, até o final da tarde de ontem não havia posição oficial do secretário sobre o documento do Fundepec.
Para o professor da Universidade Estadual de Londrina e doutor em virologia, Amauri Alfieri, contra as regras internacionais é difícil lutar, se a OIE reconheceu não há muito o que fazer. Porém, seria fundamental que a Seab negociasse com o Mapa a realização de novos exames. Segundo ele, não há a necessidade de entrar com uma ação judicial, mas sim de um entendimento entre as partes. ''É essa negociação que vamos tentar amanhã (hoje) no Congresso durante a audiência'', informou Alfieri.

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