Rio - A Fundação Getúlio Vargas (FGV) rebateu ontem as críticas que vêm sendo feitas ao Índice Geral de Preços (IGP) por integrantes do governo e economistas, e avaliou que o ''tiro pode sair pela culatra'', caso o indicador venha a ser extinto ou substituído na correção de contratos de serviços públicos, como energia elétrica e telefonia. Isto porque, a partir de agora, segundo o Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV, a tendência dos IGPs é subirem tanto ou menos do que os índices de preços ao consumidor.
Recentemente, a ministra das Minas e Energia, Dilma Rousseff, criticou o fato de o consumidor ser obrigado a pagar reajuste de tarifas que utiliza indexador atrelado ao dólar. Semana passada, o ministro das Comunicações, Miro Teixeira, informou que a indexação não deverá constar na renovação das concessões da telefonia fixa, de 2006 a 2020.
A discussão sobre o indicador entrou em cena porque a família dos IGPs acumula inflação perto de 33% nos últimos doze meses, enquanto os índices de preços ao consumidor registraram metade disso e estão na casa dos 16% no mesmo período, como o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e o IPC-RJ, da própria FGV. A diferença se explica porque o IGP tem forte peso nos preços ao atacado (60%), mais sensíveis à desvalorização.
Antonio Carlos Pôrto Gonçalves, diretor do Ibre negou que o IGP ''exagere'' a inflação, mas reconheceu que o índice é mais influenciado pelo câmbio. ''Não sei se isso é um defeito ou se o defeito é dos outros (índices)'', comentou.

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