Um grupo de 80 funcionários da TMT Memory Group, indústria de memórias e componentes para computadores com sede em Londrina e que recebeu doação de terreno da Prefeitura, foram à Justiça para pedir uma liminar para rescisão indireta de contratos porque dizem que estão sem receber salários desde dezembro de 2012. Segundo informações do Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de Londrina e Região (Stimmel), a empresa também não deposita o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) dos empregados desde outubro do ano passado, pagou apenas metade do 13º salário e demitiu 27 deles, com proposta de acertar os débitos trabalhistas em um ano. A TMT foi procurada na tarde de ontem, mas ninguém quis se pronunciar.
Segundo o vice-presidente do sindicato, Edson Roberto Evangelista, a empresa teria informado que está com dinheiro bloqueado pela Justiça, o que inviabilizaria os pagamentos. Ele disse que 45 funcionários fizeram uma manifestação em frente à fábrica, na avenida Dez de Dezembro, para pedir uma negociação com os proprietários da TMT. "A posição que a empresa nos deu é que não tem dinheiro para pagá-los e que vão ter de atender outros compromissos", comentou Evangelista. Ele contou que apenas os trabalhadores administrativos estão em atividade e o restante foi dispensado para ficar em casa.
Sócio-administrativo da TMT, Charles César Sens de Oliveira foi procurado na tarde de ontem, mas não quis falar sobre o assunto. "Não tenho nada a declarar", disse. A empresa tem sede em Londrina, escritórios em São Paulo e nos Estados Unidos, além de um centro de pesquisa e desenvolvimento na Coreia do Sul, segundo o próprio site da companhia.
São dois endereços da matriz em Londrina, um na rua Uruguai e outro na Dez de Dezembro, em terreno cedido pela Prefeitura em 2011. O vice-presidente do sindicato afirmou que a empresa veio da Coreia com a promessa de criar até 10 mil empregos. Conforme o artigo 5º da Lei 11.216/11, que trata da questão, a TMT deve criar 60 empregos na primeira etapa do projeto, 2 mil na segunda e outros 8 mil na terceira. O sindicato informou que a indústria tem entre 150 e 200 funcionários. A FOLHA entrou em contato com o Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Codel), mas não obteve retorno sobre a questão até o fechamento desta edição.

mockup