Dorico da SilvaTrabalhadores fazem plantão para impedir a retirada de máquinasFuncionários do Curtume Berger, de Rolândia, querem impedir que a Justiça confisque o maquinário da indústria, que está em concordata desde 1991. Na tarde de ontem, uma comissão de funcionários, acompanhada de um advogado, levou à superintendência do Banco do Brasil em Londrina a proposta de um empresário de Rolândia interessado em comprar as máquinas do Curtume para manter a produção. Até o início da noite, ainda não havia o resultado da reunião.
Os bens do Curtume Berger estão sendo confiscados porque o Banco do Brasil executou uma dívida de R$ 108,6 milhões. Na segunda-feira à tarde, foi retirada do curtume uma máquina divisora. No total, são 34 máquinas dadas em garantia a empréstimo contraído pelo Curtume Berger junto ao BB.
Dispostos a reagir se fossem levadas mais máquinas, cerca de 100 funcionários da empresa se concentraram no pátio do curtume. ‘‘Isso aqui é o coração da empresa. Se levarem o maquinário, não teremos mais empregos’’, disse o encarregado de setor Joaquim Bernardo de Oliveira, que trabalha há 22 anos na empresa. O Curtume Berger, junto com as indústrias de luvas e calçados, emprega hoje 600 trabalhadores.
Há dois meses sem receber salários, os funcionários querem continuar na empresa, com outro administrador. Por volta das 9 horas, uma comissão com cinco funcionários foi recebida no fórum pelo promotor Jacondino José Godinho. O promotor orientou os trabalhadores a moverem uma ação trabalhista coletiva contra o curtume.
Segundo o promotor, há mais de 20 pedidos de falência da empresa. ‘‘Só eu já dei parecer favorável à falência para mais de 10 pedidos’’, disse. Godinho explicou para os funcionários que, sem a falência, o curtume pode dispor de seus bens como quiser e não pagar os funcionários.
O promotor lembrou ainda que em abril de 96 o Banco do Brasil conseguiu ordem judicial para a retirada das máquinas e, diante dos apelos dos funcionários, voltou atrás. ‘‘Nesse período, no entanto, a empresa não pagou nenhum credor e agora está atrasando salários. De que adianta manter 600 empregos se os trabalhadores não recebem?’’ Durante todo o dia de ontem, a Folha procurou os diretores da empresa e até as 19 horas não houve retorno.

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