Arquivo Folha‘Fôlego’ Pio Borges, presidente do BNDES: empréstimo daria sobrevida à redeA comissão de representantes dos funcionários das lojas de departamento Mappin e Mesbla e lideranças da Força Sindical vão reunir-se hoje com o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), José Pio Borges, no Rio, para pressionar o banco a liberar um empréstimo de R$ 17 milhões com o objetivo de manter a sobrevida das duas redes. Um ‘‘sim’’ do BNDES serviria como estímulo para que outras cinco instituições financeiras - Bradesco, GE Capital, Banco do Brasil (BB), Fundação Centrus e Funcef - liberassem outros R$ 17 milhões cada, totalizando R$ 102 milhões de ajuda.
O Sindicato dos Empregados no Comércio de São Paulo promoveu ontem uma nova manifestação com funcionários do Mappin no centro de São Paulo, em frente da loja da Praça Ramos. Na semana passada, a comissão encontrou-se com os ministros do Trabalho, Francisco Dornelles, e do Desenvolvimento, Celso Lafer. Na quarta-feira, vão conversar com o governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT).
Todos esses eventos têm como objetivo pressionar o BNDES a liberar o empréstimo. De acordo com um dos representantes da comissão, Abramo Nicola Battilana, a liberação desses recursos somente acontecerá se houver uma participação conjunta de todas as instituições. O BNDES, por sua vez, reluta em conceder o empréstimo e quer pelo menos garantias de que o dinheiro não será aplicado a fundo perdido.
Battilana explicou que esses R$ 102 milhões serão usados para a compra de mercadorias à vista, pagamento de aluguéis atrasados e outras despesas. De acordo com o ex-presidente da Força Sindical e atual deputado estadual pelo PFL, Luiz Antonio de Medeiros (SP), esses recursos dariam uma sobrevida de pelo menos seis meses às duas redes, tempo suficiente para que seja feita uma auditoria completa nas duas redes e para que as lojas possam ser vendidas a outra empresa. Uma das interessadas é a rede varejista americana JC Penney.
Na avaliação de Medeiros, que vai participar das negociações com o BNDES, uma das formas de dar garantias à instituição seria dar ao banco o poder de indicar tesoureiros do Mappin, ou mesmo colocar as mercadorias em consignação, de forma que, se a rede viesse a pedir falência, não afetaria o banco credor. Se as redes forem fechadas, serão demitidos 9 mil funcionários de 47 lojas, dos quais 13 são do Mappin e 34 da Mesbla. Pelos cálculos do sindicato, também existem outros 50 mil empregados indiretos. O Grupo Mappin/Mesbla acumula dívidas de R$ 1,1 bilhão.

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