Funcionários temem desemprego e acusam governador do Pará
Cerca de 400 funcionários protestaram ontem contra a venda da Centrais Elétricas do Pará (Celpa). Eles rezaram, acenderam velas em torno do prédio da empresa e suspenderam o atendimento ao público. O clima ficou tenso quando o trânsito em frente ao prédio foi fechado pelos manifestantes. A polícia foi chamada para evitar brigas entre os funcionários e motoristas que tentavam furar o bloqueio.
Com faixas e cartazes, funcionários, sindicalistas e militantes de partidos de esquerda criticaram o fato de a Celpa ter sido vendida por metade de seu valor patrimonial. Segundo o presidente do Sindicato dos Urbanitários do Pará, Otávio Pinheiro Neto, o governador Almir Gabriel (PSDB) queria se desfazer da estatal de qualquer maneira, mesmo negociando-a a preço ridículo.
No final da tarde, em entrevista coletiva, Gabriel disse que a população paraense está feliz com a venda da empresa. O valor mínimo da Celpa, segundo ele, estava dentro das expectativas de seu governo. Pior seria se ela não tivesse sido vendida, resumiu o governador.
Gabriel explicou que o processo de avaliação sobre o valor mínimo da empresa foi criterioso. Ele anunciou que o dinheiro da venda será utilizado em obras e serviços de alcance social.
Não sei se essa privatização é boa ou má, só sei que preciso deste emprego, disse o técnico em contabilidade Rubeni Silva, de 47 anos, que há 32 começou a trabalhar na Celpa como office-boy. Pinheiro afirmou que o grupo Rede, um dos novos donos da empresa, demitiu 47% dos funcionários das Centrais Elétricas de Mato Grosso (Cemat), adquirida em leilão.





