Funcionários querem comando de empresa
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quinta-feira, 30 de março de 2006
Catarina Scortecci<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Desde 6 horas da manhã de anteontem, as portas das empresas Apmisa Mineração e Brasbrita, localizadas em Campo Magro (Região Metropolitana de Curitiba), estão fechadas para os próprios proprietários. A ação foi tomada pelos 47 funcionários que trabalham nas empresas, e que pretendem recuperar os direitos trabalhistas negados pelos proprietários. Até o fechamento da edição, parte dos funcionários permanecia trabalhando dentro das empresas. O restante se responsabilizava por impedir a entrada de outras pessoas no local. A situação das empresas, que pertencem ao mesmo grupo econômico, é de massa falida. A Folha tentou contato com o grupo, durante a tarde de ontem, mas não obteve retorno.
O esquema de ocupação deverá ser mantido pelos funcionários até sair o resultado de uma ação civil pública, com pedido de liminar, assinada pela procuradora Margaret Matos de Carvalho, do Ministério Público do Trabalho. A liminar pede o afastamento dos atuais dirigentes e sócios das empresas, que passariam a ser administradas pelos empregados, com o apoio da Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares da Universidade Federal do Paraná. Caso a liminar seja aprovada, os bens dos 14 réus citados na ação, entre pessoas jurídicas e físicas, também deverão ser transferidos para a gestão dos empregados, ''possibilitando a continuidade das atividades da empresa e quitação dos débitos trabalhistas e previdenciários''.
A procuradora acrescentou que poderá ser feito ainda um pedido de revisão do decreto de falência das empresas, ''por entender que os argumentos são fraudulentos''. Segundo ela, o grupo obtém lucro, mas habitualmente atrasa salários e não recolhe FGTS e INSS.
Um dos funcionários que não irá participar da formação da cooperativa, mas apóia o movimento de ocupação das empresas, é Izaltino Domingues, 65 anos, que desde o dia 19 de janeiro está sem poder trabalhar na empresa Brasbrita. ''Uma caçamba caiu na minha cabeça e agora vou ter que operar a vista e o ouvido. Na hora do acidente, a empresa só ligou para o Siate'', conta ele. A procuradora informou que outros três casos de acidentes de trabalho não foram comunicados pelo grupo aos órgãos oficiais.


