Funcionários preparam manifesto no Banestado
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 07 de fevereiro de 1997
Carmem Murara Sucursal de Curitiba 
Os funcionários do Banestado fizeram ontem à noite, em Curitiba, uma assembléia da categoria para definir a possibilidade de iniciar uma operação-padrão em todas as agências do País, a partir de hoje. A manifestação é para pressionar o banco a recuar na implantação de um plano de metas, que prevê o corte de despesas com pessoal.
O plano foi definido na sexta-feira passada. Entre as determinações, estão o corte de horas extras e a redução de 2,6 mil bancários da empresa. Até o fechamento desta edição, o indicativo da asssembléia era pelo início da operação, que se chamará pacto nacional de jornada.
Com o protesto, os bancários passariam a trabalhar apenas as seis horas previstas no contrato coletivo de trabalho. Hoje, cerca de 6,1 mil funcionários fazem horas extras com regularidade. Muitos foram contratados para fazer duas horas fixas no banco, trabalhando oito horas diárias.
A operação-padrão seria feita até o próximo dia 20, quando o Sindicato dos Bancários marcou uma nova assembléia para discutir o plano de metas. No dia 21, haverá uma segunda reunião com os representantes do banco, no Ministério Público do Trabalho. A primeira reunião aconteceu ontem, mas não houve acordo entre as partes.
O presidente do Sindicato dos Bancários, Pedro Eugênio Leite, disse que eles pediram o cancelamento do plano de metas até o final do mês. Neste período, o banco poderia abrir uma discussão com os bancários para que fosse reestruturado o plano de metas, sugeriu Leite. Os representantes do banco se comprometeram a responder a proposta durante a assembléia dos funcionários.
Além da supressão das horas extras, o Sindicato dos Bancários quer ainda uma explicação melhor sobre os cortes do quadro de pessoal, que o banco pretende fazer. O Banestado estipulou como meta reduzir em R$ 8 milhões as despesas mensais com a folha de pagamento, o que representa quase 10% do total gasto.
Este pacote anunciado pelo banco caiu como bomba sobre o funcionalismo, afirmou o presidente da Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito no Paraná, Roberto von der Osten. Ele disse que o banco conseguiu aumentar em 31% o volume de aplicações totais por empregado e que os depósitos aumentaram 30%, nos últimos dois anos.


