Funcionários param agências do Banestado
Carmem Murara
De Curitiba
Os funcionários do Banestado paralisaram ontem pela manhã os trabalhos em agências bancárias em todo o Estado e em Brasília, além de fazerem protestos em outros dois municípios paranaenses. A manifestação fez parte da campanha para mobilizar os bancários a aderir à greve programada para o próximo dia 15. A possibilidade de parar os trabalhos por tempo indeterminado foi discutida em assembléia geral, que começou por volta das 19 horas.
A mobilização dos bancários é para pressionar o Banestado a manter as 46 cláusulas sociais em vigor no contrato coletivo de trabalho. O banco ameaça retirar alguns itens como garantia de emprego, manutenção do salário, do fundo de pensão e plano de saúde. A diretoria do Banestado quer rever alguns pontos para enxugar a estrutura do banco, que está prestes a ser privatizado. A venda ocorre no final do ano.
A intenção da diretoria do banco é leiloar a instituição financeira com uma estrutura eficiente e sem as amarras que foram se acumulando durante os anos em que o banco se manteve nas mãos do governo do Estado. Muitos cortes são imposições do próprio Banco Central, alegam os diretores.
Mas os bancários não concordam. O presidente do Sindicato dos Bancários, José Daniel Farias, disse ontem que seria um retrocesso não chegar a um acordo quanto às cláusulas sociais. Nós ficamos assustados com a atitude do banco, que está de má vontade.
O Banestado fechou o acordo com as cláusulas econômicas nos mesmos moldes dos demais bancos privados, no final do ano passado, mas emperrou nos demais itens. A proposta do Sindicato dos Bancários é renovar as cláusulas sociais até setembro de 2001. Na próxima segunda-feira, haverá nova rodada de negociações.
A manifestação de ontem atingiu agências de Curitiba, Londrina, Maringá, Umuarama, Guarapuava, Campo Mourão, Paranavaí, Blumenau (SC) e Brasília.
Em Maringá, a paralisação aconteceu durante uma hora e meia na agência da Avenida Mauá. O presidente do sindicato em Maringá, José Marco Barbizan, ressalta que o objetivo da diretoria do banco é preparar o Banestado para a privatização. Derrubando a estabilidade, o novo controlador não teria problemas em demitir o pessoal. Barbizan explica que as horas extras representam 33% do salário de três mil funcionários do banco.
O presidente admite que a privatização é uma questão vencida para os funcionários. Desta vez não teremos como escapar, mas ainda sim vamos nos manter contra a privatização, afirma o presidente do sindicato. (Colaborou Marta Medeiros, de Maringá)





