Funcionários paraguaios fazem greve em Itaipu
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terça-feira, 17 de julho de 2001
Emerson DiasDe Foz do Iguaçu 
Cerca de mil funcionários paraguaios da Itaipu Binacional entraram em greve em Hernandárias, cidade distante 20 quilômetros de Foz do Iguaçu onde fica a parte direita da barragem. Durante toda o dia de ontem, apenas 260 empregados mantinham o sistema funcionando.
O motivo da paralisação seria a falta de isonomia nos assuntos relativos ao funcionalismo, tanto brasileiro quanto paraguaio. Dos 1.850 funcionários, pelo menos 1,1 mil estão de braços cruzados. O sindicato da categoria criticou a demora nos reajustes salariais no país vizinho. A diretoria nos ofereceu um reajuste somente sete meses depois de os brasileiros terem recebido o aumento. Mesmo assim, ainda resta uma diferença de 70%, explicou o secretário geral do sindicato da categoria, Pastor Arias, criticando a passividade dos diretores paraguaios quanto aos critérios impostos por (Euclides) Scalco, diretor-geral do lado brasileiro.
Segundo informações da assessoria de imprensa sediada na capital Assunção, os funcionários paraguaios receberam todos os reajustes previsto no Acordo Coletivo 2000/2001, incluindo aumento de 25% no vale-refeição e 36% no auxílio-habitação. Em carta aberta aos funcionários, a diretoria paraguaia disse que a greve apela para a desinformação e distorsão dos fatos diante da possível equiparação salarial com os colegas da margem esquerda, que utiliza certos mecanismos de compensação para as perdas salariais.
O sindicato pretende realizar paralisações de três dias, durante as próximas cinco semanas. O funcionalismo brasileiro já recebeu US$ 33 milhões desde 1994, enquanto nós tivemos US$ 11 milhões em remunerações. Queremos que a diferença seja repassada para projetos sociais no Paraguai, criticou Arias. A assessoria brasileira da Itaipu negou que houvesse diferença salarial e informou que, entre 94 e 2000, o salário médio da categoria no país vizinho foi 8% superior ao do funcionalismo local.


