Cerca de mil funcionários paraguaios da Itaipu Binacional entraram em greve em Hernandárias, cidade distante 20 quilômetros de Foz do Iguaçu onde fica a parte direita da barragem. Durante toda o dia de ontem, apenas 260 empregados mantinham o sistema funcionando.
O motivo da paralisação seria a falta de isonomia nos assuntos relativos ao funcionalismo, tanto brasileiro quanto paraguaio. Dos 1.850 funcionários, pelo menos 1,1 mil estão de braços cruzados. O sindicato da categoria criticou a demora nos reajustes salariais no país vizinho. ‘‘A diretoria nos ofereceu um reajuste somente sete meses depois de os brasileiros terem recebido o aumento. Mesmo assim, ainda resta uma diferença de 70%’’, explicou o secretário geral do sindicato da categoria, Pastor Arias, criticando a passividade dos diretores paraguaios quanto aos ‘‘critérios impostos por (Euclides) Scalco’’, diretor-geral do lado brasileiro.
Segundo informações da assessoria de imprensa sediada na capital Assunção, os funcionários paraguaios receberam todos os reajustes previsto no Acordo Coletivo 2000/2001, incluindo aumento de 25% no vale-refeição e 36% no auxílio-habitação. Em carta aberta aos funcionários, a diretoria paraguaia disse que a greve ‘‘apela para a desinformação e distorsão dos fatos’’ diante da possível equiparação salarial com os colegas da margem esquerda, que ‘‘utiliza certos mecanismos de compensação para as perdas salariais’’.
O sindicato pretende realizar paralisações de três dias, durante as próximas cinco semanas. ‘‘O funcionalismo brasileiro já recebeu US$ 33 milhões desde 1994, enquanto nós tivemos US$ 11 milhões em remunerações. Queremos que a diferença seja repassada para projetos sociais no Paraguai’’, criticou Arias. A assessoria brasileira da Itaipu negou que houvesse diferença salarial e informou que, entre 94 e 2000, o salário médio da categoria no país vizinho foi 8% superior ao do funcionalismo local.

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