Cerca de 30 funcionários da fábrica de móveis Irmola fazem vigília, desde a noite de sábado, na porta da empresa no Jardim Maria Lúcia (zona oeste) para impedir a retirada de maquinário, que pode ser usado para pagamento de salários atrasados. A empresa fechou e não teria pago os direitos trabalhistas.
Segundo os empregados, dois caminhões estavam sendo usados para retirar cerca de 20 equipamentos, entre serras, desempenadeiras e lixas. Um dos empregados mobilizou os companheiros de trabalho, que estão em vigília desde as 20 horas de sábado. De acordo com o auxiliar do setor financeiro, Álvaro Augusto Gerard, 26 anos, eles pretendiam ''manter a vigília, em esquema de revezamento, pelo menos até amanhã (hoje)''. A dívida com o grupo de funcionários varia de R$ 30 a R$ 40 mil. De acordo com eles, o equipamento está avaliado em cerca de R$ 100 mil. Além da Polícia Militar, os advogados Jorge Custódio Ferreira, do Sindicato dos Empregados da Construção Civil e Mobiliário de Londrina, e Marco Valle, da empresa, estiveram no local.
Os funcionários haviam participado, na sexta-feira, de uma assembléia para discutir a situação da empresa. Custódio disse que deverá entrar hoje com medida cautelar de arresto na Justiça do Trabalho para garantir os equipamentos para pagamento das dívidas trabalhistas. O maquinário estaria penhorado para pagamento de uma dívida da proprietária da fábrica, Elaine Cristina Condado, com um tio dela. O sindicato chegou a pagar o frete dos caminhões que seria utilizados para retirada dos equipamentos. ''Tirar as máquinas num sábado à noite é estranho. Está cheirando marmelada'', disse o encarregado de produção Valdecir Costa, 28 anos.
A proprietária Elaine teria afirmado que pretende pagar a dívida com o dinheiro da venda de um carro. Os funcionários disseram, no entanto, que além do valor do veículo não ser suficiente, o carro seria alvo de disputa judicial entre Elaine e o ex-marido e não poderia ser negociado.
Procurada pela Folha, a empresária reconheceu que as máquinas foram retiradas no sábado, das 14 às 17 horas, quando os funcionários iniciaram o ''tumulto instigados pelo ex-marido''. As máquinas foram levadas para um barracão na Vila Iara, cedido por uma amiga, ''porque empresa está com aluguel atrasado desde janeiro e com ameaça de despejo''.
Eliane alega que todos os negócios da Irmola estavam sendo administrados pelo ex-marido, de quem está separada há 60 dias. ''Ele tinha procuração e talão de cheques em branco; os funcionários não são os únicos credores. O maquinário pesado, inclusive, já está penhorado para pagar outras dívidas'', garante ela, que só agora percebeu a gravidade da situação, pois estava ''há 8 meses afastada da empresa, deixando tudo nas mãos do ex-marido''.
Segundo ela, a intenção agora é vender o carro, um Vectra, ''que está no nome da empresa, além de matéria-prima e outros equipamentos que ainda estão na fábrica'' para pagar o salário dos empregados. ''Não estou fugindo, tenho endereço fixo e vou fazer o possível para resolver essa situação'', afirma Eliane.

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