Cerca de 200 trabalhadores da linha de produção do Frigorífico King Meat, de Apucarana (Região Centro-Norte) entraram em greve ontem por tempo indeterminado. Os funcionários dizem estar sem reajuste salarial há dois anos e pedem a elevação do piso de R$ 415 para o valor do salário minímo regional, que para a categoria é de R$ 544. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores das Empresas de Alimentação de Apucarana, a empresa também não assina a Convenção Coletiva de Trabalho há dois anos. O King Meat é o único frigorífico do Paraná e um dos poucos do Brasil que abate cavalos.
O movimento também reivindica reajuste salarial de 5% referente a maio de 2007 mais 7% referente a maio de 2008 para os trabalhadores com rendimentos acima do piso salarial. Ontem de manhã foi realizada reunião com a assessoria jurídica do frigorífico mas não houve acordo e também não foi marcada nova rodada de negociação. Segundo Vanderlei Sartori, coordenador de negociação da Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores das Empresas de Alimentação, há pedido de aumento da cesta básica de R$ 115 para R$ 136,35 (neste caso foi aplicado índice de reajuste do salário mínimo). Ele explica que, atualmente, a cesta é paga sob a forma de ''abono assiduidade''.
''Se o trabalhador chega atrasado um dia acaba perdendo a cesta do mês todo'', justifica Sartori. Ele acrescenta que ainda há pedido de mudança da data-base dos trabalhadores de maio para novembro, período em que os outros sindicatos do Estado ligados à carne também entram em negociação.
O assessor jurídico do King Meat, João Michelin, considera ''inoportuno'' o movimento dos trabalhadores, já que as negociações estão em andamento em nível estadual entre os sindicatos patronal e dos empregados. ''Antes de exaurir as negociações não é correto fazer greve'', diz.
Segundo Michelin, no ano passado os funcionários do frigorífico tiveram 4% de reajuste. Ele diz que a reivindicação de ter o salário equiparado ao salário mínimo regional não é justa, já que isso só é válido para as categorias que não estão organizadas. ''Não existe negativa da empresa em negociar. Estamos discutindo a convenção coletiva 2008-2009 assim como ainda está em discussão a convenção 2007-2008'', afirma. (Colaborou Gisele Mendonça)

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