Curitiba – Quem telefonou para a administração do Shopping Curitiba, ontem pela manhã, pode não ter obtido a informação solicitada com o profissionalismo e precisão esperados de uma telefonista. É que ao invés da funcionária do setor, quem passou a manhã atendendo os telefonemas foi o gerente geral do shopping, Carlos Torres. Ao mesmo tempo, no estacionamento do prédio, o administrador de controle, Jefferson Pereira, fazia uma atividade inédita para ele: desmontou e ajudou a construir uma parede danificada por uma pequena batida de um carro.
Essa diversisificação de funções não faz parte de nenhuma estratégia de redução de custos do shopping. Assim como eles, outros 13 gestores do empreendimento participaram de uma atividade de ‘‘troca de funções’’, uma iniciativa que faz parte do Projeto de Endomarketing do shopping, lançado há três meses. Ainda este ano, o projeto prevê o programna ‘‘portas abertas’’, onde representanets de cada departamento irão relatar suas funções aos outros, além de cafés da manhã com o gerente geral, entre outras atividades.
Até a gerente de marketing corporativo Iguatemi –que administra o Curitiba–, Rosele Sanchotene, que veio de São Paulo para aplicar o projeto, teve que participar do troca-troca. E acabou levando a pior. Escalada como auxiliar de manutenção, teve que vistoriar todos os banheiros, consertar um equipamento da área de limpeza, reunir material descartável para venda e, ainda, limpar a fossa. ‘‘Eu só amarelei na hora de limpar a fossa. De zero a 10, acho que mereço nota 6 porque o resto eu fiz tudo’’, conta.
‘‘O objetivo da atividade é promover a integração entre os colaboradores do shopping –incluindo funcionários e terceirizados–, romper as barreiras entre a hierarquia, além de proporcionar contato dos chefes com outras áreas, de modo que conheçam as dificuldades’’, diz Rosele. Pelo depoimento dos participantes, os objetivos foram alcançados. ‘‘A única coisa que eu tinha construído até hoje foi brincando de lego com o meu filho’’, disse Pereira, que achou a atividade uma ‘‘experiência ímpar para entender e valorizar o serviço dos nossos companheiros de trabalho’’.
O gerente geral, Torres, no entanto, admitiu que chegou uma certa altura em que teve que pedir ajuda à telefonista. ‘‘Elas atendem cerca de 1,5 mil telefonemas por dia. Eu ainda peguei um horário tranquilo, da manhã, mas mesmo assim quando chegaram três telefonemas ao mesmo tempo, e mais uma linha interna tocou, tive que pedir socorro’’, brincou.

mockup