Curitiba – Metalúrgicos da Volvo recusaram, ontem à tarde, a proposta da empresa e mantêm a greve que já dura quatro dias na fábrica de ônibus e caminhões da Cidade Industrial de Curitiba (CIC). Eles não querem admitir a demissão de centenas de colegas anunciada pela empresa.
A proposta que a Volvo fez ao Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba previa reduzir de 400 para 250 os postos de trabalho que serão cortados até o fim do mês, todos da linha de produção. Também dava opção do funcionário aderir ao PDV (Programa de Demissão Voluntária).
A Volvo garante um mínimo de R$ 20 mil para cada demitido - somando pacote de benefícios que inclui salários extras, aviso prévio, verbas rescisórias e adiantamento de R$ 5 mil do PLR (Participação nos Lucros e Resultados) de 2016.
Em dezembro do ano passado, a montadora já demitiu 500 funcionários por PDV. E a antecipação da PLR foi um dos atrativos, mas os valores vêm caindo ano a ano. A empresa, que em 2013 pagou R$ 30 mil em PLR aos funcionários, no ano passado entregou R$12 mil.

Outra proposta
O presidente do Sindicato, Sérgio Butka, disse que os funcionários da Volvo continuarão parados até que a empresa apresente uma proposta diferente. Butka explicou que a preocupação é pela manutenção dos empregos, tanto que o sindicato apresentou algumas concessões, como adiar a data base dos trabalhadores de setembro para janeiro.
Em nota enviada ontem à imprensa, a Volvo explicou que as medidas visam amenizar os impactos da crise econômica sobre o setor de transportes. Segundo a montadora, no segmento em que atua, as vendas de caminhões pesados caíram cerca de 60%, a maior queda desde que a companhia se instalou no Brasil, no final dos anos 70.
A assessoria de imprensa detalhou a proposta apresentada ao sindicato, informando que o pacote inclui o pagamento de aviso prévio, adiantamento do PLR, seguro desemprego, todas as verbas rescisórias e isenção de Imposto de Renda. Os funcionários receberiam ainda R$ 5 mil de antecipação do PLR de 2016.
A empresa também ofereceu medidas de flexibilização do trabalho, como a utilização de banco de horas e negociação da data base em setembro. Além disso, manteve o PLR em R$ 15 mil, mesmo valor do ano passado.

Crise geral
Dados da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores) são bastante negativos para o setor de caminhões e ônibus. Segundo a pesquisa divulgada em março, as vendas de caminhões sofreram retração de 36% no primeiro bimestre do ano em comparação ao mesmo período de 2015. A retração nas vendas de ônibus foi ainda mais acentuada no acumulado do ano: recuo de 48% . Somados os dois segmentos, as vendas no acumulado do ano, despencaram 39,48%, passando de 17.045 veículos pesados no ano passado para 10.316 em 2016.
Nos últimos 12 meses, as montadoras brasileiras demitiram 11,2 mil trabalhadores, sendo 1,4 mil neste ano. Atualmente há 36,5 mil funcionários no Programa de Proteção ao Emprego (PPE), com jornada e salários reduzidos e outros 6,3 mil em lay-off (contratos suspensos), o equivalente a 32% da mão de obra do setor, de 128,4 mil pessoas. (Colaborou Adriana De Cunto)

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