Curitiba Os trabalhadores da fábrica da Volkswagen de São José dos Pinhais, localizada na Região Metropolitana de Curitiba, realizam hoje uma paralisação de 24 horas contra as demissões anunciadas pela montadora. A previsão é que 4.200 funcionários cruzem os braços e ainda realizem manifestações em São José dos Pinhais e em Curitiba, com passeatas nas duas cidades.
A estimativa do presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, Sérgio Butka, é que 810 carros deixem de ser produzidos. A mobilização começa às 5 horas em São José dos Pinhais. Junto com a unidade do Paraná, também param as fábricas de Taubaté e São Bernardo do Campo. Com isso, a previsão é que 2.700 veículos deixem de ser fabricados nas três unidades. Novos protestos ou mobilizações não estão descartados.
Butka destacou que na última sexta-feira, a empresa também apresentou a segunda fase do plano de reestruturação que inclui a retirada de direitos trabalhistas dos funcionários. O sindicato encaminhou um ofício para a empresa na sexta-feira para informar que os funcionários estão dispostos a discutir desde que a empresa não fale em demissões e flexibilização de direitos trabalhistas.
Ele disse que os trabalhadores estão dispostos a negociar soluções e que uma alternativa seria a nacionalização da produção. Segundo informações do Sindicato da Indústria Metalúrgica, Mecânica e de Material Elétrico do Paraná (Sindimetal PR), o índice de peças feitas no Paraná para utilização nos carros das montadoras não chega a 4%. ''Estamos dispostos a buscar soluções para manter empregos e não entrar na fase dois do plano de reestruturação que é um retrocesso'', disse, referindo-se a flexibilização de direitos trabalhistas.
Entre as mudanças que a empresa propôs, segundo o sindicato, estão um plano de demissão indicada (com pagamento de verbas rescisórias, 0,2 a 0,4 salário por ano de serviço e três meses de plano médico); extensão da jornada de trabalho por duas horas sem remuneração para cobrir falhas na produção; pagamento de 85% do INPC nas negociações dos reajustes salariais nos próximos dois anos e 15% do INPC variando de acordo com cumprimento de metas de produção e qualidade sem aumento real de salário; mudanças no banco de horas; aumento da contribuição do trabalhador em consultas médicas e na contribuição da mensalidade deste serviço; condicionamento de recebimento de Participação nos Lucros e Resultados a um atingimento mínimo de metas; piso 35% inferior para os novos funcionários que forem contratados em Anchieta e Taubaté, entre outras medidas.
Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos, as demissões já começaram com o corte de 219 funcionários desde janeiro de 2006. A empresa esclareceu que as demissões referentes ao plano de reestruturação ainda não começaram. A estimativa é que sejam cortados 1.400 funcionários no Paraná e 5.733 no Brasil até 2008.

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