Hoje 1,6 mil empregados da Renault, em São José dos Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba, voltam ao trabalho, depois dez dias de férias coletivas. Nesse período, deixaram de ser produzidos 4 mil veículos, o que equivale a todos os automóveis que foram exportados pela montadora francesa de janeiro a maio deste ano, segundo dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese).
A Renault explicou que as férias coletivas foram concedidas para adequar a produção ao novo ritmo de vendas. A Argentina, principal mercado das exportações da empresa, passa por grave crise econômica. Segundo a assessoria de imprensa da Renault, não será mais preciso fazer outra paralisação da produção.
O economista do Dieese, Cid Cordeiro, disse que as montadoras paranaenses não devem mais ser prejudicadas pela recessão na Argentina. ‘‘Se continuar a situação atual, o mercado aponta para que o ritmo de produção se mantenha’’, relatou. Segundo ele, as exportações de carros para a Argentina não representam muito na produção das fábricas instaladas no Paraná. Para Cordeiro, o setor automotivo poderia ficar prejudicado se o Banco Central mudasse as taxas básicas de juros, reprimindo ainda mais o crescimento econômico no Brasil, e se o nível de desemprego aumentasse.
Por outro lado, as montadoras brasileiras poderiam se beneficiar de uma iniciativa defendida por algumas empresas, que é o de livre comércio de carros entre o Brasil e a Argentina. De acordo com a agência de notícias AutoData, um estudo encomendado pela Associação de Montadoras da Argentina (Adefa), mostra que produzir carros naquele país é 33% mais caro do que no Brasil. ‘‘Com essa diferença, o preço do carro do Brasil iria entrar com um preço super competitivo, o que quebraria a indústria nacional’’, opinou.

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