Funcionários da Renault voltam ao trabalho
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terça-feira, 31 de julho de 2001
Rosana Félix<BR>De Curitiba 
Hoje 1,6 mil empregados da Renault, em São José dos Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba, voltam ao trabalho, depois dez dias de férias coletivas. Nesse período, deixaram de ser produzidos 4 mil veículos, o que equivale a todos os automóveis que foram exportados pela montadora francesa de janeiro a maio deste ano, segundo dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese).
A Renault explicou que as férias coletivas foram concedidas para adequar a produção ao novo ritmo de vendas. A Argentina, principal mercado das exportações da empresa, passa por grave crise econômica. Segundo a assessoria de imprensa da Renault, não será mais preciso fazer outra paralisação da produção.
O economista do Dieese, Cid Cordeiro, disse que as montadoras paranaenses não devem mais ser prejudicadas pela recessão na Argentina. Se continuar a situação atual, o mercado aponta para que o ritmo de produção se mantenha, relatou. Segundo ele, as exportações de carros para a Argentina não representam muito na produção das fábricas instaladas no Paraná. Para Cordeiro, o setor automotivo poderia ficar prejudicado se o Banco Central mudasse as taxas básicas de juros, reprimindo ainda mais o crescimento econômico no Brasil, e se o nível de desemprego aumentasse.
Por outro lado, as montadoras brasileiras poderiam se beneficiar de uma iniciativa defendida por algumas empresas, que é o de livre comércio de carros entre o Brasil e a Argentina. De acordo com a agência de notícias AutoData, um estudo encomendado pela Associação de Montadoras da Argentina (Adefa), mostra que produzir carros naquele país é 33% mais caro do que no Brasil. Com essa diferença, o preço do carro do Brasil iria entrar com um preço super competitivo, o que quebraria a indústria nacional, opinou.


