Funcionários da Cotriguaçu faziam operações fantasma
Vânia Casado
Três funcionários do terminal de exportação da Cotriguaçu estão envolvidos no desvio de soja, que está sendo investigado no Porto de Paranaguá. A revelação foi feita ontem pelo delegado José Augusto Chueiri, da Polícia Federal em Paranaguá. A PF apurou que o terminal registrava a entrada de parte da produção destinada à exportação, no papel, mas sem o produto físico. No mês passado, a PF apurou o desvio de 2,3 mil toneladas de soja no terminal da cooperativa através da entrada de 56 notas fiscais frias emitidas por uma empresa gaúcha.
Os funcionários foram demitidos pela Cotriguaçu e o inquérito apontando o nome dos três envolvidos será levado à Justiça. A PF não quis divulgar o nome dos funcionários. A Folha procurou a diretoria da Cotriguaçu, mas até o fechamento desta edição não obteve resposta. Os integrantes da diretoria da Cotriguaçu foram chamados a dar depoimentos na PF. Segundo Chueiri, a operação fraudulenta foi denunciada à PF pela própria diretoria da Cotriguaçu, que foi alertada por uma outra grande cooperativa paranaense. A fraude foi comprovada pela Secretaria da Receita Federal (SRF) que constatou a entrada da documentação, sem que houvesse produto.
A PF constatou que os funcionários da Cotriguaçu utilizavam placas de motocicletas e carros de passeio, como se fossem dos caminhões. Numa das notas fiscais constava a entrada de 30 toneladas de soja por um caminhão, cuja placa referia-se a uma moto CG 125. Segundo o delegado, os funcionários da Cotriguaçu apresentavam o ticket da balança, com código de barra, peso, controle de entrada e saída de caminhões, placa e peso.
A empresa que emitia as notas, era de Erechim (RS). A PF não conseguiu apurar se a empresa foi envolvida como laranja na história ou não. O delegado Chueiri acredita que a empresa está realmente envolvida porque até agora não conseguiu localizar seus proprietários.
A PF vem investigando desvio de soja em Paranaguá desde o início do ano. As investigações são feitas com base em denúncias anônimas que chegam diariamente à polícia. Segundo Chueiri, a PF já tem a convicção das fraudes e têm certeza de pelo menos três grandes empresas envolvidas.
O trabalho da Receita Federal nos terminais que era feito por amostragem, passou para 100% das operações. Com isso ficou comprovado que falta soja na maioria dos embarques feitos pelos terminais de exportação no porto de Paranaguá.





