Funcionários da Audi aprovam greve a partir de segunda
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 11 de outubro de 2000
Emerson Cervi De Curitiba 
Os funcionários da fábrica da Audi/Volkswagen em Curitiba aprovaram ontem em assembléia o início de uma greve por tempo indeterminado a partir de segunda-feira. Os funcionários estão descontentes com algumas cláusulas impostas pela direção da empresa para a concessão do reajuste salarial. A Audi aceitou conceder 6,96% de reposição, mas manteve o sistema de pagamento com valores variáveis.
Segundo o vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Região Metropolitana de Curitiba, Nelson Silva de Souza, os sindicalistas tentaram alertar os trabalhadores sobre os riscos de uma greve. Argumentamos que a paralisação deve ser a última medida, mas mesmo assim eles votaram a favor da greve, disse.
A direção da empresa comunicou ontem à tarde que pretende levar a greve para julgamento da Justiça do Trabalho. Ainda esperamos que os empregados tenham bom senso e reflitam sobre a proposta da companhia neste momento delicado, em que há milhares de carros no pátio, disse o vice-presidente de Recursos Humanos, Fernando Perez. A Audi tem 3.500 funcionários e é responsável por 60% da produção de automóveis de passeio na Região de Curitiba.
O sindicato tenta negociar até o fim da semana com a direção da empresa avanços no contrato coletivo de trabalho para evitar a paralisação. Se não houver acordo, a greve será em todos os setores. A Audi aceitou a maioria das reivindicações dos funcionários. Vai conceder um aumento real, que pode chegar a 13%. Com isso, o piso dos metalúrgicos passaria a R$ 600,00.
Os trabalhadores também tinham solicitado uma redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, a exemplo do que já acontece com a Volvo e está sendo adotado gradativamente na Renault. A Audi aceitou reduzir de 44 horas para 43 horas semanais a jornada de trabalho. O problema está na forma de concessão dos aumentos. A empresa não acrecenta todos os valores aos salários, parte do pagamento é feito em forma de variável.
O funcionário recebe um valor referente a 5% do salário em forma de variável, o problema é que sem a incorporação perdem-se os benefícios das contribuições previdenciárias, por exemplo, explica o vice-presidente do sindicato.
Além da incorporação, os funcionários da Audi exigem que os benefícios anuais sejam incluídos nos salários de maneira igualitária e sem a necessidade de avaliações.


