Funcionário do Porto assume desaparecimento de soja
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 12 de março de 2004
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O funcionário da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (APPA), Valdir Neves, assumiu a responsabilidade sobre o sumiço de 1.610 toneladas de soja no Porto de Paranaguá. Neves, que é chefe de secção no porto, justificou que houve um excesso de confiança por parte dele com a empresa Uninav, dona da carga, que segundo ele teria agido de má-fé.
Esse depoimento foi dado por Neves perante à Comissão de Fiscalização da Assembléia Legislativa que promoveu uma audiência pública em Paranaguá na última quinta-feira. O presidente da comissão, deputado Neivo Beraldin (PDT), disse que vai investigar a fundo essa história porque acredita que Neves foi indicado para ser um ''laranja''.
Conforme depoimento de Neves, é procedimento comum no porto os ''empréstimos'' de carga no papel quando há necessidade de completar os volumes embarcados nos navios. Foi o que teria acontecido. A APPA precisava completar a carga de um navio e para isso o funcionário teria solicitado à Uninav o estoque necessário. Acontece que esse remanejamento exige que tenha o acompanhamento de uma carta de fiança que comprova o procedimento.
Para agilizar a transferência dos estoques, a empresa se comprometeu a emitir a carta posteriormente ao embarque da carga, o que acabou não acontecendo e o funcionário ficou com a contabilização do estoque descoberta. Ou seja, a carga teria sido embarcada, mas oficialmente não foi dado baixa do estoque o que deveria ter ocorrido se a empresa emitisse a carta de fiança, explicou. Posteriormente a empresa reclamou essa carga.
De acordo com o deputado Beraldin, a APPA não poderia ter embarcado essa carga sem a documentação correta. Ele acredita que esse procedimento deve ser normal no porto e promete que vai investigar a fundo.
Durante os depoimentos de funcionários, sindicatos e representantes de categorias de trabalhadores e de empresas que atuam junto ao Porto de Paranaguá foram unânimes em apontar falhas na administração do porto. Eles reclamaram principalmente de problemas básicos como a suspensão dos serviços de dragagem, em meados do ano passado, e dos serviços de limpeza.
O deputado Waldir Leite (PPS) exibiu um vídeo que causou horror entre os presentes à audiência pública. Ratos de grande porte, ''verdadeiros preás'' circulavam livremente pelas vigas e cantos dos armazéns no porto, revelando a ausência de limpeza.


